Classe C mantém crescimento, revela pesquisa

Segundo O Observador Brasil 2012, a classe C foi a única que teve aumento em sua renda média familiar em 2011

Entre 2010 e 2011, mais 2,7 milhões de brasileiros ascenderam das classes D/E para a classe C, informa pesquisa O Observador Brasil 2012, divulgada nesta quinta-feira (22) pela Cetelem BGN.

Com esse aumento, a classe C, a mais numerosa do país, agora totaliza 103,054 milhões de pessoas – ou 54% da população brasileira.

A ascensão da classe C nos últimos sete anos impressiona. Em 2005, ano em que o levantamento começou a ser realizado no Brasil, essa faixa representava apenas 34% da população, com 62,702 milhões de brasileiros. “Tivemos grande migração social no Brasil nos últimos anos. São cerca de 64 milhões de brasileiros que mudaram de faixa de renda e esperamos que isso continue a acontecer”, avalia Marcos Etchegoyen, diretor presidente da Cetelem BGN.

As classes A/B também vêm crescendo ano a ano. Em 2005, eram 26,421 milhões de pessoas. Hoje, com o acréscimo de mais 230 mil brasileiros entre 2010 e 2011, chegou a 42,434 milhões. Em contrapartida, a população das classes D/E teve expressiva redução, passando de 92,936 milhões, em 2005, para 45,243 milhões, em 2011.

A RENDA DOS BRASILEIROS
Impulsionada pela classe C, a renda familiar média do brasileiro cresceu em 2011. Na verdade, nesse quesito as classes A/B e D/E mantiveram-se praticamente estabilizadas, com pequeno recuo. Só a classe C ascendeu, de R$ 1.338 para R$ 1.450. E a região Sudeste foi a única onde a renda familiar caiu, de R$ 1.874 para R$ 1.818.

Em relação à renda disponível – calculada subtraindo-se do rendimento total da família todos os gastos – houve crescimento nas diferentes classes socioeconômicas e regiões do país, o que indica maior contenção de gastos. Por escolaridade, apenas os indivíduos com nível superior tiveram queda – de 5% – em sua renda disponível.

GASTOS DOS BRASILEIROS
Com maior renda familiar, a classe C gastou mais em 2011 em relação a 2010, enquanto as classes A/B e D/E tiveram gasto total da família declarado menor que no ano anterior.

Os itens que apresentaram os maiores aumentos entre 2010 e 2011 foram aluguel (14%) e prestação de domicílios (23%). Além desses, os brasileiros também gastaram mais com convênio médico, lazer e empregadas domésticas. Itens básicos como supermercado, energia, gás, água, transporte e remédios não apresentaram mudanças significativas. E, ao contrário do que possa parecer, o brasileiro continua gastando mais com telefone fixo do que com o celular – R$ 75 contra R$ 33.

INTENÇÃO DE COMPRA PARA 2012
De acordo com a pesquisa, o brasileiro está mais cauteloso em relação ao consumo, revelando intenção de compra menor em comparação com o ano anterior. Em todas as classes socioeconômicas, a intenção de compra diminuiu ou se manteve estável em itens como móveis, eletrodomésticos, viagens/lazer, equipamentos eletrônicos etc. Houve aumento apenas entre os indivíduos das classes D/E que desejam adquirir a casa própria, subindo de 6%, em 2010, para 9%, em 2011.

Por região, a pretensão de compra do brasileiro é bastante diversa. No Nordeste, carro e casa própria tiveram crescimento significativo – de 83% e 150%, respectivamente. No Norte e Centro-Oeste, cresceu a intenção de consumir eletrodomésticos, móveis, lazer/viagem, aparelhos eletrônicos, decoração e equipamentos esportivos. No Sudeste, houve queda ou estabilidade. E no Sul, o único aumento foi no desejo de comprar a casa própria.

OTIMISMO
Parece que o humor do brasileiro mudou de 2010 para 2011. Pela primeira vez desde que essa pesquisa é realizada, a nota de avaliação da situação do país caiu, de 6,84 para 6,25. Em 2011, apenas 4% dos entrevistados deram nota 10 para a situação do país. Em 2010, 9% deram essa nota. E a queda foi verificada em todas as classes e regiões.

Perguntados sobre a palavra que melhor descreve seus sentimentos em relação ao futuro, os entrevistados se mostraram mais preocupados (29% para 33%) e revoltados (7% para 11%) e menos otimistas (42% para 31%) e entusiasmados (17% para 14%).

As classes A/B demonstraram mais otimismo e entusiasmo. As classes D/E, mais preocupação e revolta. E a classe C se divide entre esses dois cenários.

A INTERNET E O CONSUMO
O número de brasileiros com acesso à internet cresceu e passou de 41% para 44% em 2011. Entre os locais de acesso, a casa continua em primeiro lugar: 27% da população brasileira se conecta à web de sua residência.

Sobre a realização de compras online, desde que O Observador iniciou essa investigação, em 2008, a proporção de usuários que fazem compras pela internet cresce ano a ano. Artigos eletrônicos, lazer/viagens e produtos culturais continuam os mais procurados, embora em 2011 os itens comida e produtos financeiros tenham apresentado forte crescimento. As classes A/B e as regiões Sul e Sudeste são as que mais utilizam a internet como fonte de informação para compra.

Marcos Etchegoyen acrescenta que é importante destacar que “antes, o preço era o fator mais importante para definir a compra pela internet. Hoje é a comodidade”.

REDES SOCIAIS
Entre os brasileiros com acesso à internet, 86% disseram navegar por alguma rede social. E o Orkut continua a rede social mais popular, com 74%, seguido pelo Facebook ( 53%), Twitter (26%) e Linkedin (7%).

As principais razões para o uso das redes sociais são: conectar-se com os amigos (93%); fazer novos amigos ou romances (74%); sentir-se parte de uma comunidade virtual (50%); buscar informações ou opiniões sobre produtos e serviços (42%); e obter informações sobre oportunidades de emprego (19%).

PESQUISA O OBSERVADOR BRASIL 2012
A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 23 de dezembro de 2011. Foram entrevistadas 1.500 pessoas com 16 anos ou mais em 70 cidades de nove regiões metropolitanas do país. É o sétimo ano consecutivo que esse levantamento é realizado pela Cetelem BGN em parceria com a Ipsos Public Affairs.


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