Circuito de arte em alta voltagem

Quem acompanha de perto os bastidores da Bienal de São Paulo conhece muito bem os diferentes atores desse mega “longa-metragem” e, escaldado ou não, acumula expectativas. Neste ano não será diferente. A Bienal de São Paulo, desde sua edição inaugural em 1951, sempre funcionou com voltagens acima da que o seu circuito interno pode suportar,… Read more »

Quem acompanha de perto os bastidores da Bienal de São Paulo conhece muito bem os diferentes atores desse mega “longa-metragem” e, escaldado ou não, acumula expectativas. Neste ano não será diferente. A Bienal de São Paulo, desde sua edição inaugural em 1951, sempre funcionou com voltagens acima da que o seu circuito interno pode suportar, seja nas disputas internas, seja no universo da própria exposição ou no panorama político do País, como demonstrou o boicote internacional de 1969, devido à prisão de intelectuais durante o regime militar vigente na época. Agora, depois do abalo administrativo-financeiro, a 30ª edição conseguiu arrancar e está aí, sob a batuta do venezuelano Luis Pérez-Oramas, que escolheu o tema A Iminência das Poéticas, com os acertos conceituais e as heterogeneidades formais constantes nas grandes mostras.

A revista ARTE !Brasileiros, que segue de perto o sistema de arte em vários países, leva o debate ao prédio vizinho da Bienal, o Auditório Ibirapuera, com o seminário Colecionismo no Brasil no Século XXI. De Ella Fontanals-Cisneros, proprietária da coleção CI FO, a Eduardo F. Costantini, presidente do Malba, passando por Patrick Charpenel, diretor da coleção JUME X, pelos críticos e curadores Frederico Morais e Fábio Magalhães, o encontro afere como e de que modo caminha esse instigante, bilionário e poderoso segmento das artes. A Bienal deste ano aumentou seus tentáculos e abraça vários centros e instituições culturais da cidade, no melhor estilo da Bienal de Havana.

A maratona transcende a cidade e chega a Inhotim, em Minas Gerais, onde o colecionador Bernardo Paz construiu uma espécie de “Ilha da Fantasia” do circuito de arte brasileiro, com alguns “museus” dedicados a artistas de seu acervo. Neste ano, ele adensa seu staff com a curadora coreana Eungie Joo, que saiu do New Museum de Nova York para dirigir o Instituto Inhotim, junto com Jochen Volz, que ficará um tempo na Serpentine Gallery, em Londres. Querendo ou não os seus opositores, bienais são eficientes combustíveis para impulsionar a produção de arte de qualquer país. Até hoje ninguém foi capaz de sugerir um evento à altura para substituí-las. Quem tiver a sorte de desembarcar por aqui, de 7 de setembro a 9 de dezembro, vai fruir bons momentos da produção contemporânea. Boa leitura!

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