Entre uma taça e outra

Conversamos com a sommelière Gabriela Monteleone para saber como anda o mercado o mercado de vinhos no Brasil

Na última sexta-feira, 21 de setembro a Fnac da Avenida Paulista deu início ao seu mais novo projeto, a Semana de Gastronomia. E o melhor de tudo é que o evento não é apenas para chefs, gosta de brincar na cozinha? Venha! Não gosta de cozinhar, passa longe de cozinha, mas adora comer? Venha também! A Semana de Gastronomia Fnac irá oferecer uma série de palestras técnicas, oficinas, bate-papos, degustações e muito mais.

Na tarde desse sábado, 22 de setembro, que dividiu um pouquinho seu conhecimento foi Gabriela Monteleone, sommelière do D. O. M. e considerada uma das mais entendidas quando o assunto é vinho. Além de tudo isso, Gabriela ainda consegue achar um tempinho para escrever todo mês na Brasileiros, ela é a responsável pela coluna “Bebidas” fixa em nossa edição impressa. Após uma palestra muito educativa e, claro, alguns golinhos, Gabriela falou com exclusividade a Brasileiros e contou como vê esse mercado no Brasil atualmente.

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O público brasileiro está mais aberto, mais preparado, para realmente degustar o vinho?
Eu acho que sim, por vários fatores. Um deles é que hoje, pelo interesse, temos muito mais informações rondando sobre o assunto, outra por que o mercado está muito mais aberto. Espero que continue assim, torço para que essa vanguarda não passe e continuemos com essa abertura de estilos países, vinhos diferentes. As coisas chegam no Brasil, ainda que muito caras, mas chegam. Obviamente, temos que evoluir muita coisa para que consigamos disseminar o vinho da maneira correta, acho que a principal delas é o preço, a legislação e as taxas, temos muitas taxas aqui, imposto alto, isso assusta. Aqui um vinho chega a custar no mínimo cinco vezes mais caro do que o valor em seu país de origem.

Atualmente, quais são os países que mais estão no gosto dos brasileiros em termos de vinho?
Sem sombras de dúvida Argentina e Chile, acho que, além da qualidade, tem a questão do preço de novo, por fazerem parte do Mercosul, esse vinhos entram muito mais baratos do que vinhos europeus.

E no Brasil, já temos vinhos bons sendo produzidos aqui?
Produzimos vinhso muito bons, no quesito qualidade poderia competir com os mais tradicionais do Chile e da Argentina, mas que por uma questão de preço estão longe de serem competitivos, nesse caso, por que não há nenhum subsídio do governo para a produção, que é muito cara.

Nossas vinícolas ficam mais concentradas na região sul mesmo?
Isso. Mas Também temos projetos sendo feitos em Minas, Goiás, Norte de São Paulo…

Mas o clima permite?
A gente ainda aqui é muito escravo de técnica, precisa de tecnologia para a produção de vinho aqui, de fato, por conta do clima. Fica difícil produzirmos um vinho totalmente natural, um vinho biodinâmico, sem química, a umidade atrapalha muito nesse processo, precisamos de alternativas tecnológicas para driblar essa barreira climática.

Sendo um país tropical, de muito Sol e praia, como o vinho poderá um dia competir com a boa e velha “cervejinha”?
Preço, Preço. Esse é o caminho no Brasil. E ele melhora, inicialmente, com o incentivo interno, subsídios para a produção nacional, oferecer condições adequadas para os produtores que aqui estão e ajudar também a subsidiar a importação. Temos uma vantagem gigante no Brasil, aqui temos uma diversidade e uma “cabeça aberta” fora do comum para o vinho, aqui provamos de tudo. A Europa é bairrista, o cara vai para a França, ele só vai tomar vinho Francês, o cara vai para a Espanha, só vai tomar vinho Espanhol, na Itália, a mesma coisa… No Brasil temos os melhores profissionais do mercado justamente por que aqui provamos de tudo, temos que privilegiar esse nosso diferencial.

Para terminar, você como sommelière, onde acha que, hoje, estão sendo produzidos os melhores vinhos do mundo?
A Europa ainda está muito na frente, França, Itália, Alemanha, Espanha, tem coisas incríveis sendo feitas na Espanha hoje, modernas misturando com coisas mais tradicionais, Portugal, que tem uma diversidade interna muito grande… Ainda não dá para fugir muito do eixo europeu.


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