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12 de março de 2010

Vergonha nacional!

Meus caros, a sequência de notícias pareceu novela. Ontem, o General Raimundo Nonato Cerqueira Filho, que se manifestou contra a presença de gays no exército, foi confirmado para ocupar um dos mais altos postos do Superior Tribunal Militar. Hoje, a imprensa noticiou a condenação de um tenente-coronel, por aquele Tribunal, por ter tido relações sexuais com um soldado fora de qualquer dependência do exército. O Exército brasileiro não admite, sequer, que um militar seja homossexual no âmbito de sua vida privada, fora das dependências e longe de suas funções. “Não se pode permitir liberalidade a ponto de denegrir o instamento militar”, disse um dos julgadores.

Eu já citei aqui o exemplo do Exército britânico, um dos mais profissionais de todo o mundo, vencedor das duas grandes guerras do século XX, ativo  em vários campos de conflito do planeta, como o Afeganistão, e no qual não existe qualquer restrição ao ingresso e participação de homossexuais. Em 1999, a Corte Europeia de Direitos Humanos julgou quatro casos semelhantes ao do militar brasileiro condenado ontem, e sentenciou em favor destes. O que fizeram os britânicos? Estabeleceram códigos de conduta, valorizando a eficiência e a capacidade de seus membros, liberaram a participação de homossexuais, e não houve nenhum problema com isso, criaram até um site, chamado proud2serve.net, que trata publicamente do assunto. Também as forças armadas de Israel, uma das mais eficientes do mundo – não entro no mérito do que fazem, pois recrimino as ações do governo israelense – não apenas aceita homossexuais, como age contra a discriminação destes em suas funções.  O Exército norte-americano, com muito atraso, está revendo sua própria política de restrição neste assunto.

Em que medida a atividade militar é diferente no Brasil, da Grã Bretanha, dos Estados Unidos  ou de Israel? É diferente a convivência dentro dos quartéis, ou na frente de batalha, para eles e para nós? O “Instamento militar” é diferente só para nós? Lógico que não, o que temos aqui é preconceito puro, aliado a pensamento retrógrado, neolítico, uma vergonha. E ainda foram aprovar mais um general preconceituoso para o Tribunal militar. Francamente, que vergonha para o Brasil.

11 de março de 2010

Lula não leu Gandhi

Meus caros, fiquei azedo depois de ler as declarações de nosso presidente, comparando os presos políticos de Cuba a criminosos comuns, desdenhando a morte de um deles que fez greve de fome. Talvez Nosso Líder não conheça a figura histórica de Gandhi, um dissidente político que ensinou a não violência e a luta guiada pela força moral, fez várias greves de fome, e conduziu a Índia a independência. Lula deveria ler alguma coisa sobre Gandhi, mas prefere a linha do não estou nem aí, que, aliás, já demonstrou ao receber o presidente do Irã, país que simplesmente prende e mata seus dissidentes, assim como prende e mata os homossexuais, e Nosso Líder não se incomoda nem um pouco com isso.

Enquanto isso, a assessoria do BBB Marcelo Dourado, aquele que diz que homem não pega Aids de mulher, e proíbe que se fale sobre a vida gay em sua presença, ameaça processar quem fale mal dele fora do programa, inclui-se aí o jornalista Jean Wyllys, que escreveu um belo texto contra a vigorosa exposição dele pela mídia. Intimidação truculenta, mas não temos nenhuma legislação contra a discriminação de homossexuais, Dourado fala o que quiser. Assim como não se pode discriminar os negros – a lei graças a Deus os defende - ou os judeus, não se pode ofender homossexuais. Tramita pelo Congresso há 4 anos o PL 122/06, projeto de lei que auxilia no combate à homofobia, nos moldes da Lei Shepard-Byrd americana, mas o líder do governo no Senado já disse que questões polêmicas como os direitos dos gays não serão tratadas neste ano eleitoral. E vocês se lembram do general que se  manifestou contra a entrada de gays no exército? Foi confirmado para o Superior Tribunal Militar. A única notícia positiva de ontem foi a eleição de Cesar Peluso como presidente do Supremo Tribunal Federal – é um excelente juiz. Enquanto o mundo discute o casamento de homossexuais, e até Collin Powel defende os gays no exército, o Brasil expõe Marcelo Dourado, sem pudor algum. Precisamos de gente como Peluso!

10 de março de 2010

Nós na mídia!

Papa Alexandre VI, Bórgia, estaria rindo!

Papa Alexandre VI, Bórgia, estaria rindo!

Meus caros, tem dias em que tenho de procurar assunto para escrever, mas hoje são tantos que não sei por onde começar. Duas lésbicas foram as primeiras a se casar em Washington, depois que a Suprema Corte americana autorizou o casamento de homossexuais na capital americana. Depois delas houve mais dois casamentos, todos sob forte esquema de segurança, pois havia o (fundado) receio de protestos, que não ocorreram. Mais um ponto para nós. Isso na mesma semana em que um juiz argentino anulou o primeiro casamento gay realizado em Buenos Aires, poucos dias depois da cerimônia, não deu nem tempo de varrer o arroz do chão. Os noivos já esperavam por isso, disseram, pois o debate sobre o assunto no país está quentíssimo, mas a anulação só será válida, ou não, depois que a sentença for examinada pela Suprema Corte. Pelo menos o casamento realizado ano passado, na província da Terra do Fogo, continua valendo, esse ninguém conseguiu anular.

Voltando aos Estados Unidos, Roy Ashburn, senador que por anos hostilizou as causas homossexuais no Congresso americano, foi flagrado dirigindo bêbado ao sair de um bar gay, e teve de confessar que é gay. Hipocrisia total, mas nós sabemos que muita gente vive e age assim: combate, até agride os homossexuais, por medo de se assumir. Quantos não haverá no Congresso brasileiro, muitos dos quais com a bíblia nas mãos.

E por falar em bíblia, hipocrisia, e nos perigos da homossexualidade reprimida, do Vaticano veio a notícia mais incrível: dois altos membros da administração da Santa Sé, “Cavaleiros de Sua Santidade”, foram flagrados praticando a má e velha corrupção na concessão de contratos para empreiteiras. A moeda de troca, muitas vezes, eram serviços sexuais oferecidos por uma rede de prostituição masculina. E o Papa nem é Bórgia, é só Bento. Enfim, não é a mídia que está delirando, é a verdade que está aparecendo. Homossexuais reprimidos sofrem, se corrompem, e causam um mal enorme ao mundo. É evidente o quão mais saudável é uma sociedade onde podemos existir sem medo.

9 de março de 2010

Swami no Brasil

O Swami, com a Amma ao fundo.

O Swami, com a Amma ao fundo

Queridos, já disse aqui, mais de uma vez, que tenho uma mestra espiritual indiana, chama-se Mata Amritanandamayi, ou simplesmente Amma . É a criatura mais maravilhosa que eu jamais vi, uma fonte de amor, paz e energia como não existe igual. Eu a encontrei há vários anos, e minha vida mudou desde então. Amma é singular, ela é uma santa, arrasta milhares de pessoas a cada lugar que vai, e abraça um por um. Sim, ele o envolve com seus braços, olha em seus olhos, e faz uma rápida oração em seu ouvido. E aí, meu caro, você descobre como a vida pode ser maravilhosa, como você mesmo pode ser maravilhoso, eu garanto que você nunca passou por nada assim antes. Embora tenha nascido na religião indiana, Amma não prega uma religião, ela  prega amor e compaixão. Você é cristão ou judeu? Então seja um bom cristão, um bom judeu, e estarás em perfeita consonância com ela. Amma ensina que a maior prática espiritual está em servir ao próximo, e, sob esse comando simples, arregimenta milhares  e milhares de voluntários para suas obras sociais em todo o mundo. Obras sociais? Não, isso é pouco para descrever a maior obra humanitária de toda a Índia na atualidade, uma das maiores de todo o mundo, com hospitais, uma universidade, creches, centros de auxílio para idosos, e muito mais. Sua organização é reconhecida pela ONU  como Consultora Especial no socorro de catástrofes naturais, por conta do que fez pelas vítimas do tsunami, e prestou socorro às vítimas do furacão Katrina, nos EUA e, recentemente, no terremoto do Haiti.

Amma já esteve no Brasil, em 2007, e abraçou nada menos que 35 mil pessoas no Rio de Janeiro. Quem é esta criatura maravilhosa? Como conhecer melhor a ela e à sua obra? Como participar como voluntário? Para responder a todas essas perguntas, Amma está mandando ao Brasil um de seus mais antigos e fiéis seguidores, Swami Ramakrishnananda Puri, que estará em São Paulo esta semana para dois eventos imperdíveis. Visitem o site, e não percam os eventos.

8 de março de 2010

Oscar!

Queridos, todos os anos eu prometo de pés juntos que não verei a entrega do Oscar, mas grudo na tela do começo ao fim, coisa de viciado. É a maior concentração de astros por metro quadrado do ano, não dá para resistir. A Advocate.com fez uma boa seleção de gays no Oscar, vai aqui o link. O tapete vermelho é divertidíssimo, você vê qual atriz errou no figurino, qual ator ficou mais gatão, quem foi com quem, enfim, uma noite de Oscar rende um ano inteiro de posts. Jennifer Lopez se vestiu com a cortina do chuveiro, e Demi Moore parecia uma caixa de chocolates finos, mas Helen Mirren, Meryl Streep e Sandra Bullock estavam impecáveis. Os homens? Foi só eu tirar a barba para Keanu Reeves e Tom Ford institucionalizarem as deles, vou ter de reconsiderar minha cara lavada. George Clooney é lindo, mas não me toca tanto, prefiro meu idolatrado Robert Downey Jr., que se escondeu atrás de óculos azuis, um charme. Colin Farrel, sempre fofo, parecia um chaveirinho ao lado de Tim Robbins,  Taylor Lautner arrasou, e Robert Pattinson nem apareceu!

Meu candidato era Avatar, com Precious em segundo lugar. Não que eu não tenha gostado de Hurt Locker (detesto o nome traduzido), o filme é bom, prende a atenção, Jeremy Renner é fofo, e Ralph Fiennes bárbaro, mas confesso que me irrita o americanismo. “Que nossos soldados voltem sãos e salvos”, disse Kathryn Bigelow, aplaudida em pé, lindo, mas nenhuma palavra contra Bush e a camarilha que os puseram lá, ou sobre o número de iraquianos e afegãos que estão morrendo também. Obama prometeu acabar com a encrenca, tem até poder para isso, mas mandou mais 30 mil soldados, deixando um cheiro de Vietnã no ar. E, para terminar, mais um Oscar para a Argentina! Eu sei que é vergonhoso, mas eu confesso minha dor de cotovelo por nunca termos ganhado nenhum, como nunca ganhamos nenhum Prêmio Nobel. Quando me lembro que na Argentina os gays já estão se casando, aí vira dor de corno mesmo. Bobagem vergonhosa, eu sei, assumo, mas lá vou lembrar que ganhamos 5 copas, contras as 2 deles.

5 de março de 2010

Brega Chique!

Jonas Sulzbach

Douglas Sulzbach

Queridos, eu me confessei brega ontem, saí do armário mais uma vez, agora posso cantarolar meus musicais em paz, mas não fui à estreia de Cats. Sou brega mas sou chique, ou vice-versa, fui assistir ao concurso de Mister Mundo Brasil 2010, no Tivoli Mofarrej. Não pensem bobagem, o concurso é sério, se vocês não sabiam que existem concursos de beleza masculina, estão pagando mico. São pelo menos dois no mundo, o Manhunt International, organizado por uma empresa de Singapura, e o Mister World, cuja etapa brasileira aconteceu ontem. A final será na Coreia, ano passado foi na China. As finais são sempre na Ásia, portanto, deve ser de lá que vem essa novidade dos concursos. Asiático não tem medo de ser brega, tem muito dinheiro, e gosta de homens ocidentais – os vencedores são sempre ocidentais. Isso eu estou especulando cá com meus botões. O Brasil já ganhou um título de Mister Mundo, em 2003, com o mineiro Gustavo Gianetti, e chegou a um mais que honroso segundo lugar em 2007, com o paraense Lucas Gil. Os dois são gatíssimos, disparam até coração de estátua. Curiosamente, você jamais veria os candidatos de ontem nas passarelas do Fashion Week, são tipos masculinos totalmente diferentes. Mister Mundo é musculoso, grandão, mostra testosterona quando anda, nada da beleza e do catwalk dos meninos da moda. Se não tem ombrão e duplo airbag, não tem vez!

O júri era composto só de mulheres poderosas, como Lucília Diniz, Beth Szafir, Yara Baumgart, Carim Moffarej, e por aí afora. Pretinhos nada básicos, nuvens de perfume e diamantes enormes por todos os lados. Estavam bem animadas, divertiram-se. Os maridos nem tanto, todos com caras de “O que eu estou fazendo aqui?”. Alguns dos candidatos trouxeram torcida, bandeira do estado de origem e tudo, uma farra. De um total de 32, 12 foram finalistas, nenhum fazia feio, eu torci para os de Mato Grosso e Espírito Santo. Ganhou um gaúcho de olhos verdes chamado Douglas Sulzbach. Lindão, nome e cara de alemão. Vamos ver como se sai na Coreia.

Abraço do Cavalcanti.

4 de março de 2010

Sou brega sim!

Caríssimos, depois de ser ou não ser gay, ser ou não ser brega é o que mais incomoda os brasileiros. Eu me assumi gay, tive coragem para isso, mas me assumir brega também foi difícil.  Reconhecer-se brega, publicamente, é um sair do armário intelectual, algo como dizer a todos que você se identifica mais com a novela das oito do que com Shakespeare, prefere Roberto Carlos a Marisa Monte (como se fossem excludentes), e tem sim, no seu sofá, aquela almofada de pelúcia vermelha que você adora abraçar, mas que esconde quando tem visita. Tudo isso é ridículo, eu sei, mas nós somos ridículos no dia-dia, vamos confessar que sim.

Fui chamado de brega no último domingo, por um amigo jornalista que se acha a fina flor da intelectualidade, daqueles que se recusa a falar sobre televisão, e é campeão na prova do “Mas você não leu?”. Fui eu dizer que adoro os grandes musicais da Broadway, mesmo das montagens brasileiras, e levei um tiro de brega na testa. Convencionou-se que musicais são bregas e está acabado. Num mundo onde BBB faz tamanho sucesso, deveriam ser reconhecidos como sofisticados, mas são bregas. Portanto, eu sou  Gay e brega, adoro! Assisti Evita, em Londres, 1982, fiquei sem fala com a fantástica cena do Don’t Cry For Me Argentina. Depois vi a montagem brasileira e adorei. Fico feliz pois temos dois musicais bregas e deliciosos em cartaz em São Paulo, e recomendo ambos: O Rei e Eu está no teatro Alpha, e hoje à noite estreia o delicioso Cats, no teatro abril. As musicas são traduzidas, é pena, mas mesmo assim vale, a dança de Anna com o rei do Sião continua bárbara, e os recursos cênicos que fizeram de Cats quase um Cirque du Soleil estão todos lá. Sejam bregas!  Se o medo de sair do armário for grande, óculos escuros, boné, e pseudônimo são a solução. Ser brega é ótimo, principalmente com musical bom.

3 de março de 2010

A reunião do Grêmio

Meus caros, já com muito atraso, o Governo do Estado de São Paulo decidiu dar à comunidade homossexual um espaço de destaque e relevância na administração pública, e propôs a formação do Conselho Estadual LGBT. A Prefeitura de São Paulo fez isso em 2005, com a criação do CADS, Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual, e, nas palavras de seu competente Coordenador Geral, Franco Reinaudo, foi quando a comunidade homossexual “Entrou no DNA da administração pública”. Hoje a cidade de São Paulo tem uma entidade voltada aos interesses dos homossexuais que é referência internacional. O governo estadual, certíssimo, decidiu fazer a mesma coisa. Existe um comitê dentro da Secretaria de Justiça voltado às políticas homossexuais, mas é coisa menor, não tem força, acaba de escanteio ou no vazio. O Conselho Estadual LGBT será uma conquista da comunidade, extremamente necessário, ganharemos voz ativa na administração do maior e mais poderoso estado do país, deveríamos auxiliar sua criação. Só que a Secretaria da Justiça cometeu o triste erro de superestimar nossa militância, chamando entidades e organizações representativas do movimento gay para ouvi-las sobre o arcabouço já desenhado para o órgão. Foi aí que parou tudo. Deu até vergonha.

Agindo como se fosse um grêmio universitário, os militantes lá presentes foram incapazes de chegar a um consenso sobre a representatividade, no Conselho, de cada uma das letras da sigla LGBT– que nunca foi oficial, diga-se. Debateram, sem sucesso algum, se um gay pode representar uma lésbica, ou se só as lésbicas devem falar por si, transexuais idem, etc. A coisa é simples: gente capaz e inteligente dá conta do recado, uma lésbica, ou transexual, inteligente e compromissada, poderia sim falar por mim, que sou gay. Mas nem entre si conseguiram dialogar os presentes, que dirá se integrarem um Conselho Estadual. Reclamamos que o legislativo não faz leis que nos protejam, mas, quando somos chamados a ajudar, atrapalhamos. Não entendi bem o que fará o Governo agora, mas acho que quem entende de administração pública deveria resolver. Aluno não faz tarefa de professor.

2 de março de 2010

A briga em Paris

E a catedral é linda!!!

E a catedral é linda!!!

Depois do post de ontem, que achei delicioso, adorei os 80 ícones gays da Out, tenho de voltar para os temas mundanos e não divertidos. Só agora sabemos exatamente o que aconteceu em 14 de fevereiro, quando houve um beijaço em Paris, e gays foram agredidos diante da catedral de Notre Dame. Mencionei esse evento de Paris num post anterior, e sempre elogio essa forma de manifestação que os gays desenvolveram e praticam. Acho maravilhoso, nos dias de hoje, um segmento da sociedade reclamar  seus direitos de forma pacífica, rápida, afetuosa, com dia, hora e local marcados. É civilizado, e quem não quer ver simplesmente não vai.

Pois os franceses, que já realizaram vários beijaços, queriam desta vez se beijar em frente à catedral de Notre Dame, principal igreja de Paris, o que gerou, desde o início, reclamações dos católicos franceses. Os organizadores não se melindraram, não era o intuito deles afrontar os católicos,  gerando conflitos desnecessários.

O evento foi transferido para a praça de Saint Michel, perto dali, e foi um sucesso, centenas de pessoas, boa cobertura da mídia, etc. Só que alguns gays não se conformaram e foram para a catedral. Lá, estavam não os católicos, mas um grupo de neo-nazistas, daqueles que raspam a cabeça, usam uniformes com suásticas, tudo aquilo que os “nossos” Carecas do ABC imitam. Também lá estava um pelotão da polícia armada, além de policiais à paisana, pois na França a coisa é levada mais a sério, existem leis contra homofobia, e a polícia age preventivamente. Lógico que houve atrito, alguns carecas agrediram os gays, mas foram presos no ato. Não foi um tumulto de grandes proporções, os policiais foram rápidos, quatro agressores foram presos, e estão sendo processados criminalmente. A televisão mostrou tudo. Vocês estão vendo o que acontece quando existem leis para a proteção dos homossexuais? Quando a polícia e o judiciário efetivamente cumprem seu papel? O Brasil chegará lá, tenho fé!

1 de março de 2010

Os 80 da Out

Meus caros, nunca posto aos domingos, mas acabo não achando espaço durante a semana para as coisas boas, portanto aqui vai uma boa dica para quem quer aproveitar para zapear a net, agora que desligaram o verão e está fazendo esse friozinho delicioso aqui (em São Paulo) O Site Out.com fez um apanhado delicioso de 80 clássicos gays americanos, incluindo desde os seriados Sex and the City e Angels in America até poemas de Walt Whitman e Elizabeth Bishop. Para aqueles que apenas demonizam os americanos por conta dos republicanos amigos de George Bush e dos fundamentalistas religiosos do Bible Belt, vale muito a pena dar uma olhada na maravilhosa – e fundamental contribuição deles para a cultura e o movimento gay na história! Tem vários vídeos, recomendo não perderem a antológica cena de Keanu Reaves e River Phoenix ao redor da fogueira em My Own Private Idaho (sempre choro), e incontáveis músicas, de Madonna a Aaron Copland. Essa seleção da Out serve como um ótimo guia para quem quer e precisa saber mais sobre a nossa cultura, e a cultura em geral, pois a maior parte dos nomes que aparecem ali é obrigatória para gays e héteros, indistintamente.

Detesto quem divide o mundo entre o bem e o mal sem nenhum conhecimento de causa, maniqueísmo é burrice! Os Estados Unidos ainda  irradiam ideias e exportam comportamentos, muitos dos quais maravilhosos, outros detestáveis, cabe a você mesmo, com sua cabeça, saber separar o joio do trigo. Vocês sabem o que Obama está fazendo por nós? Cada estado americano que aprova o casamento gay,  a discussão sobre gays no exército, os argumentos que eles estão usando no judiciário deles , tudo isso nos ajuda aqui também. A lei que fizeram contra homofobia é referência mundial. Nas últimas semanas, rasguei elogios aos britânicos. E não volto atrás, adoro todos eles, leiam os posts, mas faço questão de trazer a vocês esses clássicos escolhidos pela Out, pois são obrigatórios. Deem uma olhada e curtam.

Abração do Cavalcanti

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