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2 de setembro de 2010

Rehab para todos

Meus caros, a revista Vanity Fair, minha Bíblia pessoal, estampou uma linda foto de Lindsay Lohan na capa, e traz uma deliciosa matéria sobre a loura do momento, encrencadíssima legalmente, que deve estar saltitante com o último tombo de Paris Hilton – os holofotes se viraram para a outra loura! A situação de Hilton é bem pior, foi pega com cocaína, e ela, que já teve lá seus antecedentes criminais, pode ser condenada até 4 anos em regime fechado, coisa pouco provável se imaginarmos a fortuna pornográfica que pode gastar – e gastará – com advogados superstars. Lindsay já pisou na bola depois de sair da prisão cumprindo apenas 14 dos 90 dias a que foi condenada, sob a condição de ser submetida a tratamento psicológico e de reabilitação contra drogas, o já popular rehab, mas já foi flagrada dirigindo sem carteira. Na matéria da Vanity Fair, ela contradiz toda a escola freudiana e culpa não a mãe mas o pai, por tudo de ruim que faz, e não hesita em atirar até contra a barraqueira olímpica Britney Spears, que já passou por incontáveis rehabs fracassados, por ser um mau exemplo. É uma festa de louras poderosas, com muitas drogas, e advogados caríssimos. Todas irão sobreviver. Se até meu querido Robert Downey Jr., que cumpriu vários meses de sentença, e passou por mais de uma rehab, conseguiu dar a volta por cima, todos podem conseguir.

Do outro lado do Atlântico, George Michael se apresentou perante o juiz, e confessou-se culpado por dirigir embriagado. Seria dificílimo provar o contrário, pois invadiu aquela loja com o carro, e não se aguentava em pé quando a polícia chegou. Antes de ser trancafiado, no entanto, também ele apelou para a rehabilitation, em uma tentativa de se ver livre de álcool e drogas. Não vai livrá-lo da prisão, mas vai amolecer um pouco o coração do juiz. Juízo mesmo teve Colin Farrell, que, antes de qualquer flagrante criminoso, entrou de cabeça na limpeza clínica, e há anos não bebe mais nada, o que, se considerarmos que é irlandês, é um milagre. Aqui no Brasil, Fábio Assunção saiu do tratamento lindamente, dando um super exemplo a todos. Enfim, milagre mesmo é o instituto jurídico e midiático da rehab, que se parece com aquela tecla atualizar, que fica na barra superior da tela do browser: aperte, e a vida pode ficar mais leve. Só não sabemos por quantas vezes, nem se os juízes vão continuar acreditando nele. Abraços do Cavalcanti.

1 de setembro de 2010

Carla Bruni nota 10!

Meus caros, imagino que ninguém tenha perdido a patética aparição do ditador Fidel Castro na televisão, fazendo um mea culpa pela perseguição e morte de milhares de homossexuais nos campos de concentração de Cuba, durante muitos anos do regime de sua interminável revolução. Fidel reconhece sua responsabilidade pelo que chamou de “Uma grande injustiça”, pois ele mesmo nunca teve “esse tipo de preconceito” (!), e termina afirmando que, naqueles tempos, estava mais preocupado com questões como a crise dos mísseis, e outros “problemas de vida ou morte”. Não se pode levar a declaração do dinossauro cubano muito a sério, pois, à guisa de mero exemplo, a crise com os Estados Unidos por conta dos mísseis, em outubro de 1962, na qual ele e John F. Kennedy quase levaram o mundo a uma guerra nuclear, não durou mais do que duas semanas, ao passo que a perseguição aos homossexuais em Cuba foi uma regra cruelmente aplicada pela ditadura de Castro por muitos anos. Sabe-se lá por que razão terá Fidel feito uma declaração ridícula dessas, em uma entrevista a um jornal mexicano? Poucos governantes se preocuparam tão pouco em angariar simpatia para si e seu governo, revendo publicamente erros de seu passado, quanto mais ele, que sempre preferiu mostrar-se como vítima dos norte-americanos, enquanto mamava benesses da União Soviética. Já sob Gorbachev a mesada começou a minguar, até que finalmente acabou com a dissolução do regime de Moscou. Mas ninguém pense que a vida dos homossexuais na ilha tornou-se mais fácil depois disso. Os cubanos são homofóbicos, e as escolas oficiais (não há outras) sempre ensinaram que homossexualidade era um mal do capitalismo, decorrente das distorções humanas que este gerava.

Fidel ressuscitou recentemente, depois de passar o poder a seu irmão Raul, por conta de graves problemas de saúde, nunca esclarecidos – nada naquela ilha é esclarecido, nunca! Será que está com medo da morte? Seria curioso um comunista marxista genético ter medo da morte, pois, se não acredita em Deus, não pode crer que haja alguém para puni-lo no além túmulo.

Seguindo as tristes notícias dos ditadores do mundo de hoje, só posso aplaudir de pé Carla Bruni, fofíssima, que defendeu a iraniana condenada a ser apedrejada até morrer, e foi ferozmente atacada pela imprensa da terra dos aiatolás, governada por um facínora condecorado pelo governo brasileiro. Me recuso a botar a foto de Fidel ou de Ahmadinejad neste post – lógico que o prêmio vai para a bela Bruni, figura mais próxima de Jackie Kennedy que a Europa conheceu nas últimas décadas. Abraços do Cavalcanti.

31 de agosto de 2010

Aguinaldo Silva e o poder supremo

Meus caros, sei que falar de beijo gay em novela já não é mais notícia nem novidade, estamos todos cansados do assunto. Mesmo assim, não posso ignorar a declaração do (ótimo) autor de novelas Aguinaldo Silva, que afirmou com todas as letras que o esperado beijo gay no horário nobre das novelas da Globo não sai agora nem nunca! Contrariando seus colegas Sílvio de Abreu e Ricardo Linhares, que declararam achar que o Brasil está pronto para assistir à tão esperada cena, Aguinaldo usou seu Twitter para dizer  que sabe de fonte fidedigna que “Nunca haverá um beijo gay no horário nobre da televisão”. A polêmica surgiu logo após a veiculação da campanha do PSOL, na qual, em pleno horário político, dois rapazes se beijam, o que, efeito político à parte, gerou um debate salutar por toda a mídia. Eu mesmo achei, no início, que o filme era ligeiramente abusivo, por usar os gays, novamente, como arma de marketing político, mas voltei atrás depois reconhecendo que, ao menos, batia na tecla certa. Admiro Plínio Sampaio, e, embora seu partido não tenha lá grande representatividade, o beijo veio a calhar sim. Prestem atenção: uma coisa é a teledramaturgia estar pronta para o beijo, outra é ele poder acontecer. Mas qual será a fonte assim tão fidedigna de Aguinaldo Silva, que contraria seus colegas? A alta cúpula da Rede Globo? Pois foi numa novela da mesma emissora que dois atores, um deles o cotadíssimo Bruno Gagliasso, chegaram a gravar o tão comentado beijo, que foi cortado na última hora pela emissora – faltou coragem da direção. Lembro que não apenas o programa do PSOL, mas também um programa do SBT chamado Qual é o Seu Talento já mostrou um longo beijo de dois rapazes, e deu risada da Globo. Isso aconteceu em junho passado, e o mundo não caiu. No mundo do teatro, o lindo e talentoso Thiago Lacerda, que está vivendo Calígula no Rio de Janeiro, beija o ator (sortudo) Pedro Henrique Moutinho quatro vezes por semana, e a polêmica acerca desse beijo já não ganha mais nenhuma linha na mídia. Será que estamos todos falando do mesmo Brasil? Será que a teledramaturgia está mostrando outra nação que não a nossa?  De  qual poder tão supremo Aguinaldo Silva está falando?

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, um ministro do partido conservador saiu do armário e assumiu-se gay, encerrando um casamento de mais de 20 anos, com filhos e tudo. Não é surpresa nenhuma, pois se trata do 11º ministro conservador a assumir-se, desde 2002. O mundo caiu? Pelo contrário. Lá, isso já não é escândalo algum. Que diferença entre nossa teledramaturgia e a realidade britânica. Abraços do Cavalcanti.

30 de agosto de 2010

Mishima, novamente

Meus caros, adoro abrir uma semana com boa notícia: mais um livro de Yukio Mishima nas livrarias, e um dos melhores.  Chama-se O Pavilhão Dourado, e conta a história de um adolescente mentalmente perturbado, que vive na fronteira entre o Japão antigo e tradicional, representado nesse livro por um templo antigo e sagrado, e a sociedade do Japão moderno, que começa a se desenhar já durante a Segunda Guerra Mundial. Foi exatamente o período em que Mishima começa sua carreira de escritor, e vive seus próprios conflitos com sua sexualidade e sua visão da cultura japonesa. O personagem principal, Mizogushi, é absolutamente perturbado, por uma série de razões, e suas relações com o mundo ao seu redor o levam a um labirinto cada vez mais profundo e complexo. Quando  conhece outro personagem, Kashiwagi, o desejo e as ideias de uma relação homossexual só acabam piorando sua mente. Esse é um universo riquíssimo para ser explorado por Mishima, mestre em perfis complexos e ricos, e na cultura japonesa. Um mito no Japão, ele chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel mais de uma vez, o que é curioso em se tratando de uma sociedade conservadora como a japonesa.

Mishima era o pseudônimo de Kimitake Hiraoka, mas acabou conhecido por ambos os nomes. Homossexual, saiu do armário de forma lindíssima, com o livro Confissões de Uma Máscara, clássico absoluto da literatura homossexual, e de conteúdo quase totalmente autobiográfico. É impossível distinguir, ainda hoje, o que no livro foi realmente realidade ou não, mas a história do menino que vê despertar seu desejo por homens, e se esconde atrás de máscaras para ocultar sua personalidade, poderia ocorrer em qualquer país do mundo. Em uma passagem deslumbrante, o personagem se depara com uma pintura de São Sebastião, com seu corpo maravilhoso contorcido pelo sofrimento das flexas, e atinge seu primeiro orgasmo. Mishima sempre afirmou que esse fato foi real, que foi assim que ele descobriu o sexo, e se reconheceu como homossexual. Ele chegou a se fotografar imitando a pintura, de forma absolutamente homoherótica. Acabou se suicidando de maneira espetacular. Mishima é lindo, um dos maiores autores homossexuais do século XX, eu o comparo a Gide e Genet. Seus livros são lindíssimos, obrigatórios para gays e héteros. Estão todos nas livrarias. Abraços do Cavalcanti.

27 de agosto de 2010

Blog é literatura!!!

Meus caros, adorei a declaração de Gilberto Braga, de que novela também é literatura. Ele falou perante a própria Academia Brasileira de Letras, entidade arcaica, e não apenas pela idade média de seus membros. Quem são aqueles senhores para entender os fenômenos das novas mídias, se sequer a televisão conseguem compreender? A palestra de Gilberto Braga, homem fantástico que escreveu o melhor das novelas das oito nos últimos 30 anos, deve ter marcado a Academia. A mim, parece lógico que novela de televisão é literatura. Como bem disse o próprio palestrante: “Se até mesmo cordel é literatura, o que não se dirá sobre televisão?”.  Televisão espelha a sociedade, mostrando o que tem de melhor e de pior, e essa é sua função. Nunca esquecerei Dancin Days, pois lá estava o fenômeno das discotecas, com Sonia Braga e Pauleti (sem camisa) invadindo uma casa noturna, dançando a mil por hora, inaugurando um momento bárbaro da história brasileira. Ainda vejo muito daquilo na balada de hoje. E nada descreveu com tamanha perfeição a sem-vergonhice brasileira como Vale Tudo, com Gal Costa cantando na abertura: “Brasil, mostra sua cara, quero ver quem paga, pra gente ficar assim…”.

Gilberto Braga tem autoridade para falar sobre Brasil, e ele, gay assumidíssimo, entende do que diz quando afirma que os galãs gays da televisão não devem sair do armário, pois vão se queimar – ele entende bem o público para quem escreve. Novela, ou folhetim, como eles preferem dizer, é literatura sim, como também é literatura qualquer texto que espelhe o mundo ao seu redor, ou o fenômeno humano em qualquer tempo. Gilberto Braga está certíssimo, a Academia Brasileira de Letras precisa se oxigenar, nem que metade de seus membros vá para o além de uma vez por todas, e eu registro aqui, com a (pouca) humildade que me é peculiar, que blog também é literatura! Não que eu seja um imortal, nem almeje um fardão daquela casa, mas tem muito blogueiro por aí que merecia sim um assento na Academia. Exagerei? Me digam vocês. Me diga Gilberto Braga! Abraços do Cavalcanti.

26 de agosto de 2010

Pessoa, ele mesmo

Caros, ninguém em São Paulo pode deixar de passar na maravilhosa mostra montada no Museu da Língua Portuguesa,  sobre Fernando Pessoa, o poeta, que dispensa qualquer apresentação. Pessoa era homossexual, embora a era em que viveu, e as cidades que frequentou não lhe permitissem qualquer exposição. Tivesse vivido em Paris, teria mais liberdade, como tiveram Proust, Gide, Verlaine, Rimbaud, etc.  Mas Lisboa era mais conservadora, e o grande poeta não tinha, ao que se sabe, grandes chances de dar suas escapadas. Juram alguns de seus biógrafos, que os bares de cais do porto de Lisboa, como em qualquer porto do mundo, ofereciam sempre oportunidades de, em troca de algumas moedas, saciar desejos escusos, mas, de tão escusos, teriam ficado bem ocultos e nunca expostos. O fato é que Pessoa era hábil em de esconder atrás de heterônimos, personagens por ele criados, a quem atribuía parte de sua obra, e pouquíssimo deixa transparecer em seus versos sobre personagens masculinos. Pessoa assumiu publicamente as personalidades de Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, e utilizava as múltiplas personalidades para questões menores, como escapar a atrasos rotineiros, ou ousar aqui e ali em frases de seus textos. Na verdade, sua sexualidade pouca importância teria, se considerado o relevo de sua obra – trata-se de um dos maiores poetas da língua portuguesa de todos os tempos, equiparável, sim, a Luís de Camões, a ponto de ter sido enterrado no mesmo templo sagrado da cultura portuguesa, o deslumbrante Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

De sua obra retirei, não sem razões bem pensadas, o texto no qual celebrei a aprovação, pelo parlamento português, da lei do casamento de homossexuais naquele país, o soneto dedicado ao Infante Dão Henrique, um dos maiores mitos da história portuguesa, e um dos mais lindos sonetos de Pessoa, assinado por ele mesmo. Poderia ter sacado da Autopsicografia, com o qual hoje encerrarei esse post, e o farei, insistindo para que ninguém perca a maravilhosa mostra sobre nosso grande poeta, cuja sexualidade é detalhe mínimo, desprezível, mas que cito por obrigação de ofício. Abraços do Cavalcanti.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se Chama o coração

Fernando Pessoa

25 de agosto de 2010

Balada do Titio

FesFesta de família - eu estou alí no canto esquerdo, de camiseta azul, viram?

Festa de família - eu estou alí no canto direito, de camiseta azul, viram?

Caríssimos, se vocês nunca passaram pela experiência de levar seus sobrinhos para conhecer a tua balada favorita, não sabem o que estão perdendo. Já confessei aqui meus irremediáveis 44 anos, celebrados há dez dias. Sábado festejei novamente, dessa vez na melhor casa noturna de São Paulo, chamei cinco bons amigos, e tive a  brilhante ideia de trazer também três sobrinhos, todos héteros, dois deles acompanhados por seus respectivos cônjuges, formavam todos um grupo fofíssimo. Pedi que chegassem cedo, para que pudessem admirar o local do crime do tio antes da chegada do rebanho, com suas carnes  fracas e fartas à mostra. Não que os assustasse, são bem maiores de idade, mas com as pistas vazias eles puderam ver como é linda a minha balada, como eu realmente tenho razão de me orgulhar, e falar dela o tempo todo. Afinal, é lá que, uma vez por semana, eu deixo minha condição ignóbil para me tornar o Gui, carinhosamente recebido por todos. Sim, eu tenho cartão VIP, conquistado muitos anos antes de a casa abrir, e entro pelo tapete vermelho, sem nunca me esquecer de agradecer aos donos pela generosidade – noblesse oblige.

Eles ficaram impressionados com o que viram, e não podia ser diferente, meu playground é fantástico, a música de primeira, e a bebida bem servida. Cercados pela rica fauna das bibas paulistanas, eles tiveram a chance de confirmar o que eu lhes disse: casal hétero não é incomodado por ninguém na balada, poderiam até ter se jogado mais na pista que ninguém atacaria os meninos, gay sabe respeitar. Já o mais jovem, sozinho, porte de cavaleiro cruzado e olhos verdes, manteve-se um pouco assustado ao meu lado enquanto circulávamos por todo lado, inclusive na muvuca deliciosa da sala VIP, logo atrás do DJ. Passeamos pelo bar, e, salvo por um conhecido que já gravitava vários uísques acima da humanidade, ninguém o incomodou. Quer dizer, não se aproximaram, nem fizeram brincadeiras inconvenientes enquanto ele estava ao meu lado, mas foi só ele ir embora, afinal já tinha visto tudo, que o mundo caiu sobre meus ombros. “Então vai dizer que um menino lindo daqueles é sobrinho, inventa outra, biba!”. “Mas a sra. está com tudo…”. Naquela noite, meu curriculum vitae subiu uns 100 pontos no índice Dow Wedding, confesso que me diverti! Queridos, balada gay é absolutamente segura para héteros, podem crer. Já cansei de dizer isso por aqui, mas só experimentando vocês vão acreditar. Pois experimentem, mas levem os sobrinhos de vocês, pois os meus eu não empresto por nada nesse mundo. Abraços do Cavalcanti.

24 de agosto de 2010

Obama não tem coragem!

Meus caros, já disse por aqui que a humanidade ainda vai me matar de vergonha, frase emprestada de Mário Mendes, e, mais uma vez, vejo razões para acreditar nisso. Em meio à luta acirrada do movimento gay americano para derrubar a famigerada lei don’t ask, don’t tell, que nada mais é que a virtual proibição da entrada e participação dos homossexuais nas forças armadas americanas, o próprio Pentágono inicia uma pesquisa destinada às esposas (e maridos) de militares em serviço, indagando se eles permitiriam a permanência de seus colaterais em serviço, caso a lei seja derrubada. Isso ocorre ao mesmo tempo que campanhas fortes e milionárias são veiculadas na mídia, exigindo que Obama cumpra sua promessa de campanha e lute pela derrubada da lei, e, também, ao mesmo tempo em que se obtém a vitória no julgamento da Califórnia, apenas temporariamente suspenso. Trata-se da dinâmica da ação e reação, a população americana é mais dividida do que parece, e a distância entre os dois polos é mais longa do que se imagina. Não é um fenômeno apenas americano, o Brasil é igual, o tema levanta paixões em todo o mundo, e não exatamente das mais civilizadas. Trata-se do velho dogma: homossexuais e héteros não podem dividir os mesmos espaços, pois somos selvagens, e atacaríamos o sexo oposto. Vinda de um órgão como o Pentágono, a pesquisa só prova uma coisa: Obama está perdido no tiroteio, não tem coragem de peitar sua frágil bancada no Congresso, e quer ganhar tempo e argumentos que justifiquem seu silêncio, nem sequer o apoio de Nancy Pelosi e Colin Powell são capazes de encorajá-lo.

Ainda assim, me surpreende a impermeabilidade dos opositores a qualquer exemplo vindo de fora, das experiências incrivelmente positivas dos exércitos britânico e israelense, só para voltar a dois exemplos que já citei aqui – deve haver outros. Até mesmo o exemplo de Gareth Thomas, o super jogador de rúgbi que se assumiu, e que continua a dividir os vestiários com os colegas de time, e nada de insólito aconteceu, naquele universo brutalmente masculino. Não é Obama, com sua complicadíssima agenda política, mendigando os votos de republicanos, que vai entrar na briga como herói da vitória, que ninguém se iluda quanto a isso. Abraços do Cavalcanti.

23 de agosto de 2010

Mr. Martin rides again

Meus caros, segunda-feira é dia de fazer o balanço do final de semana, e o meu foi nota 10. Comemorei meu aniversário, cada vez mais quarentão, vai dando um medão daqueles. A família e os amigos foram fofíssimos, carinho e atenção de todos, isso já vale uma fortuna, emociona, amacia os medos do momento. Posso dizer que passei pelo aniversário bem amaciado, acabou o inferno astral.  Ernest Hemingway disse que os melhores anos na vida de um homem são os 40, portanto já gastei 4 deles pensando bobagens, é melhor sacudir a poeira rápido, e correr atrás. Cartola cantou lindamente: “A sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida”. Dois grandes homens, cada qual com sua visão maravilhosa do mundo, ensinaram isso, quem sou eu para ignorar.

Pensei bastante nisso ao ler as notícias sobre o lançamento da autobiografia de Ricky Martin, que gerou aquele furor todo quando saiu do armário meses atrás, já com dois filhos gerados numa barriga de aluguel para animar a vida. Só uma coisa me passa pela cabeça: como é que alguém com apenas 38 anos de idade (segundo a Wikipédia ele fará 39 em dezembro), sequer chegou aos 40, já escreveu uma autobiografia? A resposta é simples – o que vale na vida de um homem não é a idade, mas a quilometragem! Se deixou o tempo passar ficando em casa vendo televisão, jogou a vida fora, e aí não tem volta, mas tenha se jogado na vida, assumido riscos, cometido erros,  acertado aqui e ali, poderá até mesmo ter fracassado, mas vai ter uma história para contar. Não é o caso do delicioso Mr. Martin, que tem uma coleção de sucessos, foi um dos Menudos, viveu uma Vida Louca, para fazer uso do nome de um de seus maiores sucessos, e depois assumiu-se gay publicamente. Imaginem o quanto ele não tem para dizer? Eu estou na maior ansiedade para ler o livro, que só sairá nos Estados Unidos e Europa em novembro, mas que será um sucesso de vendas garantido. Vou deixar meu exemplar encomendado na Amazon.com desde já, se é que as boas livrarias de São Paulo não o terão disponível no dia do lançamento, é bom verificar. A capa, linda, eu já mostro aí em cima. Abraços do Cavalcanti.

Queridos, o beijo na propaganda do PSOL deu muito o que falar ontem, todos os blogs gays mencionaram, e houve uma divisão mais ou menos igual de prós e contras. O filme é fofo, os meninos são fofos, o que dá uma credibilidade ao filme, pois realmente parecem gente como a gente. Tenho de reconhecer, foi uma boa tacada do partido, que está de parabéns. Ontem, eu ainda estava meio azedo, pois já vi muita gente afagar os gays para sair bem na foto, mas estou reconsiderando e elogio sim. Fiquei particularmente bem impressionado depois que Ana Magni, uma comentarista fofa, entrou no post informando que o candidato a Presidente pelo PSOL, Plínio Sampaio, de histórico socialista católico, defende  o casamento gay – e não a simples união civil, como os demais. Plínio é um cara íntegro, de passado impoluto, teve de deixar o Brasil durante a ditadura, e, curiosamente, eu conheço quase todos os filhos dele: Plininho, Eduardo, Marinho e Fernando. Tem ainda um mais novo que eu não conheci. Posso não concordar com a visão socialista dele, mas elogio sua integridade, e sua posição feliz para com os homossexuais.

Já falei até demais sobre isso aqui, mas vou continuar repetindo: não queremos união civil, queremos casamento civil. Queremos e temos direito constitucional a ele, está lá no artigo 5º da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei…”. Se somos iguais, queremos o mesmo casamento civil a que os héteros têm direito.Vários ministros do Supremo Tribunal Federal já se manifestaram assim, em um julgamento que ainda não acabou. Se o Código Civil ainda fala em casamento de homem e mulher, precisa ser alterado, pois a Constituição lhe é superior. Pode parecer bobagem, mera questão de nomenclatura, mas não é. Sem o regime matrimonial do casamento civil, nós não podemos exercer mais de 70 direitos dele decorrentes, e que estão espalhados em uma miríade de leis inferiores. Como já disse dias atrás, eu aderi ao movimento lançado pelos blogueiros gays, que defende a igualdade absoluta de direitos, vale dizer, o casamento civil. Queremos alertar a sociedade para o fato de que o aceno que nos fazem com projetos de união civil são até perigosos, são paliativos que tornariam o acesso ao casamento civil muito mais complicado. Sempre que algum político afaga muito os homossexuais, minha primeira reação é sempre de muita cautela, pois de palavras falsas e promessas não cumpridas estamos cheios – não é o caso de Plínio Sampaio, registro aqui meu elogio a ele, e agradeço pelo “beijo do PSOL”. Abraços do Cavalcanti.

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