Queridos leitores deste Brasil varonil, já perceberam como é fácil falar de Brasil e já cair numa definição de sexualidade? Confesso minha ignorância por não saber de onde vem a expressão “Brasil varonil”, uma falha curiosa para um gay da minha idade. Mas não sei e tudo bem! Aqui na 23B, a partir de hoje, eu vou falar de gays do e no Brasil, e também de cinema, da noite, do babado, das “Barbies”, das “Tias”, de quem causou, de quem causou e deu detalhe, e vou explicar a vocês o que significam esses termos todos.
Na minha primeira reunião com o pessoal da Brasileiros, todos héteros (na teoria), percebi a enorme curiosidade deles sobre “o sindicato”, que nada mais é que um dos mil nomes dados à nossa comunidade maravilhosa. Por muitos anos, nós vivemos no submundo, protegidos dos preconceitos e fobias por diversos códigos e disfarces, mas hoje chamamos mais de 3 milhões de pessoas na Parada Gay de São Paulo, e quase a metade não é sequer gay, e quer muito nos conhecer melhor. Nossa noite gay é uma das melhores de todo o mundo, nossas casas noturnas são fantásticas, nossos DJs arrasam, e esqueçam as aves que aqui gorjeiam, pois os homens que aqui circulam são muito melhores do que elas. Foi naquela reunião que me veio e ideia de escrever uma coluna, ou blog, que seja, de gay para heterossexuais, ou, melhor dizendo, de gay para todo mundo. Não é curioso que nossa Parada Gay tenha chegado a ser o que é em 13 anos, e que a internet em larga escala também seja um fenômeno de, aproximadamente, 13 anos? O mundo mudou muito em muito pouco tempo, e nada melhor do que falar sobre essa mudança.
Por que chamar de 23B e não de 24 de uma vez? Mais de uma venenosa já me jogou na cara: “Tá querendo se esconder? Tá no armário?”. Não, não quero me esconder, quem quer se esconder não bota foto e se declara gay num site com a exposição da Revista Brasileiros. Eu só quero fazer algo diferente do que eu mesmo já fiz no passado. Detesto me levar muito a sério, e vou lançar meu olhar raio-x-gay ao redor e escrever o que eu ver e que me der na veneta. Espero os comentários dos leitores para saber se estou escrevendo o que vocês querem ler e aceito sugestões e críticas. O espaço para comentários aí embaixo é exatamente para isso, embora eu deva avisar que nunca dou meu telefone, não entrego nomes de quem não me autoriza e, se me perguntarem a idade e a altura, eu vou roubar nas duas.
Vocês, mulheres e homens heterossexuais, ou os “hts”, como os chamamos, já invadem nossa praia e frequentam a noite gay há algum tempo, e são todos bem-vindos aqui. Vamos então tornar este espaço um tira-dúvidas e fonte de dicas, para que todos se divirtam e ninguém fique mal na cena. Os homens de hoje, gays ou hts, usam os mesmos cosméticos, compram roupas nas mesmas lojas, malham nas mesmas academias e leem as mesmas revistas. É bem verdade que muitos homens hts se gabavam de que eles é que trocavam pneus de carro, consertavam aquela válvula hidra que pingava no banheiro, e cuidavam de toda a bagagem no aeroporto, só que hoje minhas amigas lésbicas já fazem tudo isso com maior rapidez, conforto e eficiência. Não tenham medo, meninos, vocês não estão em extinção e podem falar aqui o que quiserem. Vamos nos divertir com tudo isso.
Enfim, o velho Lourenço Cavalcanti estará aqui todas as segundas, quartas e sextas, salvo esta primeira semana, pois minha taróloga mandou começar tudo hoje, uma terça-feira cuja data soma nove. Eu sempre obedeço a ela de pés juntos, mas isso eu explicarei outra hora.


