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22 de setembro de 2009

Só sexo e rock’n roll – será que dá?

Fernanda Torres

Fernanda Torres

Meus caros, estou feliz em constatar um surto de depoimentos e declarações públicas, de personagens midiáticos, sobre drogas e seus efeitos. De Whitney Houston a Fábio Assunção e Fernanda Torres, muitos estão falando abertamente sobre o espaço das drogas na nossa sociedade, declaram que cheiraram muita cocaína, e atacam a questão num ponto crucial: o glamour da droga. Fernandinha está estreando no Rio a peça Deus é Química, e abre bem o leque falando de várias drogas, lícitas e ilícitas, mas define claramente a cocaína como “O pior demônio”. Depois de muitos anos cheirando, ela reconheceu o paradoxo que era assistir à guerra entre polícia e traficantes ao lado de sua casa, enquanto ela mesma usava a droga. Ponto para ela. Aliás, vários pontos para ela, que conseguiu parar antes que as drogas lhe causassem maior estrago. Fábio Assunção, de olhos lindos, teve de abandonar uma novela para buscar ajuda médica, seu tropeço foi cruelmente público. Mas os dois estão aí, Fernanda muito bem, e Fábio se recuperando – no post de ontem falei dele, e continuo na torcida.

Mas preciso deixar uma coisa bem clara: Lourenço Cavalcanti não é um moralista hipócrita, fazendo discurso politicamente correto para sua plateia. Eu mesmo tive meus problemas com drogas, no caso o álcool, e não posso mais beber uma gota que seja! Entendo do assunto. O álcool é legal, vendido em qualquer esquina, quase ninguém se reúne sem bebida. “Vamos tomar alguma coisa?” Eu sempre ia, e não bebia só por gostar do whisky não, bebia para me embriagar, e adorava, meia garrafa ia num estalo. O whisky me acrescentava 15 cm de altura, mais outros 10 cm de peitorais, meus dentes brilhavam, minha calça velha virava vintage, e com três doses eu já tinha terminado um doutorado em filosofia. No dia seguinte, eu tinha de subtrair tudo isso – em dobro! Outras pessoas podem beber e se divertir muito com álcool, mas eu não. Falo de mim e de álcool, este é o meu caso. Não foi fácil parar. Não beber é uma luta diária, talvez vitalícia, mas ela pode te deixar bem mais forte. Parei antes do poste bater em mim, e só paguei o mico de ser visto fazendo xixi nele, várias vezes!

Colin Farrell

Eu ADORO Colin Farrell

Isso é coisa de brasileiro? Lógico que não. Ontem mesmo, Whitney Houston relatou para Oprah uma viajem pesadíssima, vão passar a segunda parte do programa hoje. Todos nós achávamos que ela estava no fundo da sepultura, ouvindo do pastor os dizeres bíblicos “Do pó ao pó”. Também ontem li uma bela declaração de Yoko Ono defendendo Britney Spears, que usou de tudo, espancou muitos, e está aí, tentando uma volta por cima. Colin Farrell, o delicioso ator irlandês, também passou por isso, e deu um longo depoimento para a revista inglesa GQ. Eu me inspirei muito nele para buscar ajuda médica. Ouvir um relato, tão parecido com o meu, vindo de um homem daqueles, que parece ter a vida resolvida – gatão de sucesso, rico, cercado de mulheres (ele é dos que gosta), me ajudou muito.

Droga é um problema social, internacional, de gays e heterossexuais. Se você usa, cuidado. Se perceber que as luzes vermelhas se acenderam, procure ajuda, principalmente a de um médico. Ele vai saber cuidar de você. O meu se chama Fábio S. e é bárbaro, encantador. Tenho até ciúmes, não sei se empresto.

Meus caros, vamos falar de drogas por aqui, sem preconceitos ou falsos moralismos? Alguém mais aí tem problemas com drogas? Alguém aí ainda acha o máximo sair do banheiro com as mãos geladas, sorriso e dentes travados, coração a mil, pupilas dilatadas, e só se cercar de gente assim?

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Comentários

Meu caro, quantos escorregões já não demos… Para mim o álcool também já foi um grande problema. Não que eu me sentisse poderosa ou coisa que o valha. Tinha é uma coisa destrutiva. Micos de toda ordem, dificuldade para trabalhar, direção perigosíssima, e o dia seguinte. O que terei eu feito? O que eu falei e para quem? Ai… Sem contar os gastos, que eram sempre muito maiores com bebida do que com comida. E nem vamos falar na saúde. Ainda bem que tudo isso ficou no passado, com a valiosíssima ajuda dos poucos e bons amigos e da minha companheira. Se bem que eu não confio muito em quem não faz nem nunca fez uso de coisa alguma. Mas a moderação é o caminho. Afinal, a vida tem que ir melhorando, né? Beijas.

Menino, por que será que todo bom escritos bebe muito? Você fez muito bem em sair também deste armário e falar disso no seu blog, pois muita gente tem abusado, e Fernandinha teve toda razão em se sentir hipócrita. A entrevista dela na Isto É é obrigatória, e não perderei a Oprah de hoje.
Abraço sempre cordial,
Dorita

Interessante sua abordagem, e reconheço ser um problema quando não há limites para tal questão, uso das drogas… tenho “espelho em casa” como dizia minha avó, um irmão que se destruiu e quase acabou com nossa família também… pelo fato de ser difícil, mas ter que admitir que o filho maconheiro não mora ao lado… vc tem dentro de casa um verdadeiro “monstro”, ou seja, um problema que para enfrentá-lo, será preciso muita paciência, apoio profissional e fé. Prefiro achar que se algumas drogas como a maconha fosse legalizada e acompanhada de políticas públicas sérias, talvez a sociedade ficasse mais tolerante, porque alguns países preferem legalizá-la do que aceitar homossexuais… Espero não ser este o nosso caso, Brasil, lutamos por direitos e emancipação da sociedade como um todo. Mas acredito que, se os bingos que tanto mau causou a muitas famílias, viciando inclusive donas de casa, e agora voltou “com força” porque foi legalizado, ou seja, vai haver tributração, porque não fazer o mesmo com drogas que podem e devem ter controle, apesar de tudo isso ser muito subjetivo, porque é só darmos um passeio pelas farmácias da vida que vemos todos… de mamães comprando remédinhos para os filhos a vovós com a caixinha de medicamento vazia da amiga que disse ser pra dormir !!!

Oi Lourenco,

Pessoalmente nao tenho nenhum vício químico, a nao ser os meus chocolates nos dias tristes. Além do vício da internet que venho tentando lutar contra para poder escrever finalmente a minha tese…

Mas acho muito interessante essa discussao.

Costumo dizer sempre que cada um faz com seu corpo e vida o que quiser, contanto que tenha consciencia plena do que está fazendo a si mesmo e aos seus queridos e a sociedade em geral.

No caso das drogas ilícitas, sei que sair do vício nao é fácil como que qualquer outro vício, mas que essa mesma pessoa assuma a responsabilidade pela guerra civil que se vive no Brasil, como fez Fernanda Torres. Se ela parou ou nao de consumir, sabe-se lá. Mas pelo menos ela tem consciencia do paradoxo em que vive e traz com seu exemplo a questao para a mídia.

Tenho pessolmente problemas com familiares que fumam um cigarrinho diariamente. Falo do cigarrinho verde, aquele que “é menos prejudicial à saúde” quando comparado com o cigarro normal de nicotina. Concordo com essa frase lugar comum sobre os efeitos dessa droga. Mas essa mesma droga levou esse parente meu a roubar dinheiro de sua própria mae. O dinheiro fora enviado de longe com o suor do trabalho e economias para ajudá-la nas dificuldades para o tratamento de um cancer. Isso me doeu muito e me fez ver que esse parente tava, naquele momento precisando mais de ajuda médica do que sua mae que estava enfrentando uma doenca incurável com muita diginidade, coragem e otimismo. Talvez a doenca dele também seja incurável, pois naquele momento o seu vício falou (e pelo visto ainda fala) muito mais alto do que a dor de toda a família naquele momento. Mas nesse momento consigo sim ver os dois lados da Moeda. E me vem á mente agora aquele filme de Lars von Trier, o momento final de “Os Idiotas” quando Karen desafia a dor de sua família. Mas a consciencia dele, meu parente, doeu tanto que depois ele voltou atrás, muito depois, certo, mas se arrependeu e assumiu pelo menos, nao deixando a culpa para o seu pai que foi tido como esclerosado pois tinha “perdido” o dinheiro.

Hoje é claro que ele foi perdoado e teve o nosso apoio. Mas o vício continua firme e forte. Só nao se sabe mais quais os limites dele. E esse é o meu ponto pessoal contra as drogas. O desrespeito ao próximo. Mesmo que seja o mesmo próximo que tá ali do lado para apoiar incondicionalmente.

Se as pessoas acham que a maconha deveria ser lícita pois causa menos danos ao corpo, que lutem por sua discriminalizacao. Que levantem suas bandeiras para nao continuarem incentivando o tráfico de drogas e a violencia com seus vícios.

Ponto positivo para os artistas que assumem seus vícios e lutam na mídia contra ele. Ponto para voce que traz um tema tao importante para a sociedade.

Uma outra boa sugestao de filme para refletir o tema é o maravilhoso “Bicho de sete Cabecas” que mostra exatamente o oposto de minha experiencia pessoal, onde o outro extremo, o da família que lida com o viciado, nao enxerga os limites de seus preconceitos.

Abraco a todos de terras germanicas. Domingo que vem é eleicao aqui e tou torcendo para os partidos que defendem os direitos homos saiam da oposicao e cheguem ao poder (nao todos eles, claro). Comecamos hoje aqui o Outono já com temperaturas amenas e muitas folhas por todos os lados.

Vou me embora comer meu chocolate e ver o filme “As Horas” com minhas duas atrizes preferidas (Kidman e Streep) que o inverno vem chegando e tenho que entrar no clima…

Ahhh…esqueci de comentar isso:

“O whisky me acrescentava 15 cm de altura, mais outros 10 cm de peitorais, meus dentes brilhavam, minha calça velha virava vintage, e com três doses eu já tinha terminado um doutorado em filosofia. No dia seguinte eu tinha de subtrair tudo isso. Em dobro! ”

Perfeita descricao. Me sinto exatamente assim quando bebo o um dia depois. E a ressaca moral é a pior de todas!!! Por isso penso ainda muitas vezes antes de meter o pé na jaca…

Interessante, aliás, como sempre, o seu post, Lourenço. Parabéns pela ousadia em dizer o que disse. E sempre com categoria, o que contribui com o bom nível aqui.

Só lamento ter lido alguém dizer que quem não é drogado não merece confiança. Será que eu entendi bem? Caramba. Acho que não vou querer a confiança dessa pessoa. Jamais provei droga ilícita alguma e, modéstia à parte, acho-me uma pessoa honestíssima, trabalhadora, confiável, ética, honrada…

Como sou leigo no assunto…prefiro não comentar…hehehe.

Engraçado como é o ser humano, sabe que não faz bem e mesmo assim o faz….estranho não ?

Abraço

Bem interessante seu texto.
Seria bom se esse fosse um assunto mais recorrente na “midia gay”.
Tenho problemas com meu namorado, e já tive com a minha mãe tbém, mas prefiro nao comentar aqui. Mas sei o quanto isso é uma barra!
Abraços.

Damião,
vou voltar ao tema, pois é de vital importância para todos. Droga não é uma questão dos gays, mas de todo mundo. Passei por isso, e vi muita gente passar. Não quero parecer moralista, ou chato, mas vou bater nesta tecla de novo. Abração do Lourenço

Lourenço, lá vou eu dar minha opinião mais uma vez: costumo dizer que a droga é a 3a. guerra mundial. Eu, pessoalmente, (caretaaaa), nunca usei nenhuma. Entretanto, tenho casos graves na minha família: irmão – hoje em tratamento externo mas levou anos em internamento; sobrinho – hoje totalmente reabilitado, e um monte de gente conhecida e próxima. Casos absurdos de pessoas que antes eram profissionais reconhecidos e engajados e que em poucos meses perderam o emprego, a casa (literalmente o imóvel), a mulher, filhos e tudo o mais. Pelo fato de casos na família, próximos como o do meu irmão, tive que adentrar pelo assunto e participar de terapia em família para lhe dar apoio. A droga não é o máximo mesmo! A droga é uma droga. Sem preconceitos e sem falso moralismos digo que é um caso de saúde pública, de ações governamentais mais eficientes e por fim e no fim acaba sendo sempre um caso de polícia… Abraços.

Oi Lourenço,

Nunca usei droga nenhuma porque eu sei que o Lado Negro da Força é forte em mim (e sim, sou terrivelmente nerd por dizer isso :D ). Mas a verdade é que os efeitos das drogas não as tornam sedutoras para mim. Exceto o LSD que dizer ser uma viagem de verdade, mas quando eu boto na balança os possíveis efeitos futuros, eu chego à conclusão que não é para mim.

Quanto ao álcool já é outra história. Eu adoro o gosto de bebidas alcóolicas e tenho casos, embora não muito próximos, de alcoolismo na família. Por isso mesmo eu nunca quis criar uma interdependência entre diversão de balada (ou “night” como a gente diz por aqui) e álcool. Eu tenho a vantagem de não precisar de desculpa para me soltar, eu sou daquelas que quer dançar quando a pista ainda está vazia, afinal alguém tem que começar, certo? :D

Enfim, acho que a gente precisa informar a garotada desde cedo. Eu me lembro que ainda pré-adolescentes, minha mãe colocava meu irmão e eu para assitirmos a todos os Globo Repórter sobre vícios (na época não havia TV por assinatura) e acho que isso nos ajudou bastante.

Cada um escolhe o próprio caminho, não tem como obrigar alguém a não entrar ou a sair das drogas. Mas quando uma pessoa sabe o que pode acontecer, de fato, ela tem o poder de fazer escolhas melhores.

Quanto a gostar de estar cercada por pessoas alteradas por qualquer susbtância, digo por mim: acho que elas sempre ficam muito mais interessantes de cara limpa.

Beijocas, parabéns pelo post, pela sua volta-por-cima e que a Força esteja com você :D

PS: abra o espaço para o diálogo sobre o tema outras vezes, sim. :)

Iasmim fofa,
Sabes que eu também sou daqueles que gosta de começar a dançar cedo, com a pista vazia. E minha coreografia e bem performática, resumindo, eu “causo”. Hoje me dia, o mais difícil é agrupar amigos que não bebam e não usem drogas, pois eu acabei virando um ET. Esta discução precisa ser mantida, sempre, e vou usar o blog para isso.
Abração sempre carinhoso,
Lourenço

Damião,
Em toda a mídia, não só na gay! Vamos manter esta onda.
Abração do Lourenço

Caríssimo,

Gostei de seu cuidado em não utilizar a palavra vício em seu post.

Segundo o Houaiss, entre outras definições, vício é “defeito ou imperfeição grave de uma pessoa ou coisa; disposição natural para praticar o mal e cometer acões contra a moral”.

Pior ainda é a definição de viciado, que é “que é ou se tornou moralmente degradado; depravado; corrupto.”

Como esperar que alguém se recupere de um estado onde a alma (longe do sentido religioso) se encontra dilacerada em função de uma transferência de afeto para uma substância que causa dependência química, quando ele(a) é taxado de viciado?

Vale a pena talvez, em paralelo, você discutir os outros tipos de dependências. Sexo, comida, endorfina (as barbies que o digam), trabalho…

Não, João, você não entendeu bem. Nem é isso que está escrito. Um abraço.

Oi de novo,

Que pena que eu não moro aí. Pq eu seria sua amiga careta que adora dançar na pista vazia! :D

Eu sou nerd, mas adoro dançar e até danço direitinho. É uma das coisas que me faz sentir verdadeiramente livre. Muito bom! :)

Falando sério, eu sei que eu também sou uma ET, mas achei um grupinho de alienígenas que são meus amigos há mais de dez anos. Ao contrário da física, no que que tange a relacionamentos, os semelhantes se atraem.

Estou aqui na torcida para que você encontre logo logo mais companheiros de outros planetas. :)

Beijinhos

[...] Só quando eu mesmo me levo a sério é que preciso de remédio para dormir, Rivotril, cujo nome Fernandinha Torres usou para apelidar nossa geração. Não vi ainda sua peça, “Deus é Químico”, mas adorei [...]

[...] recaídas, sempre existe como se reerguer, desde que não morram antes, lógico. Eu. Lourenço, com meu histórico com o álcool, entendo e torço, [...]

É bom ver as pessoas falando de droga como deve ser falado.Quem não já usou droga nos dias de hoje? E conheço algumas pessoas que usam e não as atrapalha. Eu concordo apenas parcialmente que o usuário da droga financia a violência. A violência vem principalmente da ilegalidade. Se seguirmos esse raciocínio até o final, veremos que nosso dinheiro de imposto também financia a violência e assim vai. A solução é legalizar as drogas. Todas. E rever a questão do álcool. Ele tem que se tornar mais raro, é muito disponível.

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