
Meus caros, os gays norte-americanos estão caindo na real. Descobriram que muito do que seu adorado presidente prometeu em campanha vai demorar por acontecer, e não exatamente por culpa dele. A legislação que torna crimes hediondos, e de competenência federal, aqueles motivados por homofobia, passou, foi aprovada pelo congresso – mérito do falecido Senador Ted Kennedy, diga-se, e será assinada por Obama em breve. VEJAM O POST DE ONTEM! Já no apoio ao casamento gay, recentemente o atual governo trocou os pés pelas mãos, e a derrubada do ridículo “Don’t ask, don’t tell“ , que cerceia a entrada de gays nas forças armadas, também vai ter de esperar mais. Obama até pode querer avançar, e ele inseriu no site oficial da Casa Branca seu apoio às reivindicações gays no item “direitos civis”, o que representa um certo comprometimento. Mas a agenda presidencial está atrasada, para desapontamento dos gays, vai demorar para ele realizar o que prometeu, pois terá de superar vários empecilhos. Quais?
Para começo de conversa, nos Estados Unidos o presidente manda muito menos do que o presidente do Brasil manda aqui. Obama pode brincar à vontade com o poderoso exército americano, da fronteira para fora, diga-se, o que Bush adorava fazer, tanto que deixou seu sucessor encalacrado em duas guerras. Fazer leis é outra história. Lá, quem legisla é o Congresso, para onde o presidente encaminha propostas de leis, e os congressistas de seu partido trabalham para aprová-las. Isso pode demorar anos. Os democratas, partido de Obama, têm maioria simples no Congresso atual, mas eles ainda precisam do apoio dos republicanos para aprovar outras questões muito importantes, como medidas que tentam remediar a crise econômica, e a reforma do sistema de saúde americano. Portanto, entrou areia na história. Os republicanos são conservadores, tendem ao preconceito e à homofobia, e estão muito mais preocupados com dinheiros do que com as bibas.
Para piorar, os gays perderam os dois grandes defensores de suas causas no Congresso, o falecido senador Kennedy, e a senadora Hillary Clinton, que virou secretária de Estado. Novas eleições só vão acontecer em novembro do ano que vem, e o cenário político até lá é imprevisível. A boa notícia para os gays, curiosamente, veio de um republicano ferrenho – o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, que mudou de ideia, e decidiu apoiar a lei estadual que aprova o casamento gay, que ele antes combatia. Na Califórnia, terra de Harvey Milk, o casamento gay está legalizado. Recentemente, também os estados de Iowa, Vermont, Maine e New Hampshire aprovaram o casamento de homossexuais. Devagarinho, os gays vão comendo pelas beiradas, e andando para a frente.

