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15 de dezembro de 2009

Os afluentes

Rio, de Janeiro ou Da Prata.

Rio, de Janeiro ou da Prata

Meus caros, foi só chegar ao Rio, na segunda-feira, e ouvir reclamações dos cariocas por conta da matéria publicada pela Revista Veja neste final de semana, dizendo o quão gay é Buenos Aires, nossa vizinha portenha. Afinal, quem ganhou o título de melhor destino gay de 2009? Não vou me irritar, só respondo o seguinte: falar bem de Buenos Aires significa falar mal do Rio? Mudaram a Farme de Amoedo para lá? Não sejam infantis. Tudo aquilo que defende, valoriza, protege, e reconhece os gays, favorece a todos nós, não importa aonde aconteça no mundo. A eleição da prefeita gay em Houston, Texas, estado dos cowboys, nos ajudou aqui, pois trouxe mais esta referência para nosso movimento, mais este exemplo para nossas argumentações. Da mesma forma, quando a igreja sueca sagrou a bispa lésbica, ganhamos mais esta informação, uma deliciosa comparação das bispas de lá com as bispas de cá. Os avanços dos direitos dos gays no Uruguai, ou em Israel, nos favorece?  Sim, é lógico, nos dá um belo empurrão. O movimento gay é mundial, não tem disputa quadrangular nem fase eliminatória. Nós ganhamos com a pancadaria de Stonewal, nos anos 1960, Harvey Milk nos ajudou, nos anos 1970, todos sofremos juntos com a AIDS, dos anos 1990 até hoje. Todos ganham com a conquista do país vizinho.

O movimento gay é parte da nova era, sobre a qual já falei aqui, e que, repito, não significa o fim dos tempos. Cariocas queridos, a vocês eu só digo o seguinte: nenhum rio corre para trás, todos eles acabam no mar, e, quando outro país, outra instituição religiosa, reconhece e ajuda os gays, isso é como se mais um afluente desembocasse no nosso movimento, e nos desse mais essa força. E parem de reclamar ou dar pití. Doeu o cotovelo? O remédio é sentar ali por Ipanema, e olhar os garotos de sunga, jogando futevôlei, ou caminhando pelas calçadas. Muitos de nós ainda vamos nos casar sim, aqui mesmo no Brasil, nos próximos anos. Talvez demore mais 10, 15 anos, mas, na medida em que esta seja a regra normal e homogênea mundo afora, o Brasil vai seguir esta corrente, e se juntar a este rio. Afinal, 10 ou 15 anos, na história, não é nada.

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Comentários

Meu caro, tens toda razão. Beijas.

Oi Lourenço,

Não li a reportagem. Se foi escrita apenas valorizando Buenos Aires, legal. O que ocorre é que as vezes, por trás de uma matéria aparentemente imparcial, existe várias pontadinhas de crítica.

Eu li várias matérias esse ano com esse teor, falando do futebol de uma maneira geral, mas desprezando o futebol carioca, já que um dos grandes times estava na segunda divisão, dois ameaçavam cair e um estava se esforçando para terminar a competição entre os quatro primeiros…

Você pode escrever frases como: “apesar de não ter sido agraciada com o título de melhor destino gay do mundo, Buenos Aires recebe os gays de braços abertos”. Sentenças assim definem o tom do texto.

Não sei se foi o caso da Veja, mas artigos assim torram a paciência. Eu, pelo menos, que já aceitei o título de antiquada, acho que o papel da imprensa é informar. Artigo de revista ou jornal não é coluna, tem que ser imparcial. Do contrário como eu posso confiar nos dados que estão sendo apresentados?

Enfim, não estou querendo defender ninguém. Pode ser que o pessoal tenha sido infantil mesmo. Mas não me surpreenderia se não fosse esse o caso.

Beijinhos

[...] humor, a mídia ama, enfim, precisamos conectar o Brasil no movimento internacional dos beijaços, para agregar nossa enorme força. Nós já fizemos vários, aquele organizado no Shopping Frei Caneca foi um [...]

( x ) Rio Janeiro
( ) Buenos Aires

Sem duvida alguma…hehehe…praia, sol, etc…precisa explicar mais ?…

[...] mas também riquíssimo em dicas e informações, está na net no http://www.mapabsasgay.com.ar . Detesto ficar comparando, mas sou obrigado a dizer que nosso vizinhos portenhos talvez estejam na nossa frente em termos de [...]

[...] cada pequeno passo desses beneficia a todos nós, não importa onde estejamos. Continuo otimista, feliz, e garanto-lhes que o post de retrospectiva [...]

[...] comemorar com eles. Já escrevi que cada avanço, não importa o quão longe, nos ajuda, sempre. É o grande rio correndo para o mar, salgado de tantas lágrimas de Portugal (F. Pessoa). Escolhi dois sonetos, o [...]

[...] de calção, ou bermuda e camiseta, com aquelas aberturas que mostram quase tudo, eu amo! Aliás, os cariocas se amam. Desculpem-me os paulistas, mas homens como os cariocas são difíceis de encontrar. Inferno e [...]

[...] com notícias boas aqui e lá (detesto ‘acolá’). Somadas, formam a onda irreversível que nos levará a dias bem melhores. “Lourenço acordou otimista?”. Acordei não, fui dormir otimista, sempre sou otimista, encaro [...]

[...] lésbicas mais influentes dos Estados Unidos. Tem a ver conosco? Lógico que sim, pela minha velha teoria dos afluentes, o avanço que os homossexuais dos outros países conquistam ajudam a todos nós, e lá estão [...]

[...] a Constituição Federal vale mais do que tudo, eles que calem a boca! Não ganhamos a guerra, mas avançamos mais um pouco na batalha, e para [...]

[...] Europeia de Direitos Humanos, representa um avanço histórico para homossexuais no mundo inteiro, ajuda a mudar as coisas lá e cá. Boa referência para nós brasileiros, que vivemos num buraco negro legislativo. Para nossos [...]

[...] os campeões mundiais em paradas gays – quase 190! Lourenço novamente acordou otimista? Não, eu sempre sou otimista, acredito realmente que ainda vou casar-me com um homem aqui no Brasil, e de acordo com a lei [...]

[...] fica a esperança de que o exemplo americano nos dê ao menos força moral, o que eu denomino de Teoria dos Afluentes, e também mostra como uma militância realmente organizada pode fazer muita diferença. Hoje mesmo [...]

[...] Cidade do México, em muito breve a Argentina, e por aí vão. Eu acredito, sempre, na minha teoria dos afluentes. As chances estão do nosso lado, mas agora é a hora e a vez do juiz, e cabeça de juiz é cabeça [...]

[...] já se declarou a nosso favor. Uruguai e Argentina correm no mesmo sentido, e à nossa frente, e isso tudo soma e nos dá força. É bom terminar um ano com esse cenário. Reveses virão, mas estaremos cada vez [...]

[...] de espanhóis para argentinos, acho que teremos mais uma razão para celebrar, e sentir alguma inveja. Nós já vínhamos acompanhando  o avanço do casamento [...]

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