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9 de janeiro de 2010

Portugal, lindo, lindo!

Queridos, não posso deixar de homenagear nossos irmãos portugueses pela maravilhosa conquista, aprovada ontem que foi a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo . O casamento homossexual agora é uma realidade em toda a Península Ibérica, mais este grande exemplo para o mundo todo, vamos comemorar com eles. Já escrevi que cada avanço, não importa o quão longe, nos ajuda, sempre. É o grande rio correndo para o mar, salgado por tantas lágrimas de Portugal (F. Pessoa). Escolhi dois sonetos, o primeiro de Camões, talvez o maior nome de toda a rica literatura portuguesa, e o segundo de Fernando Pessoa. Camões viveu no século XVI, e morreu quando Shakespeare nascia. Ele é tão atual que um cantor (gay) maravilhoso como Renato Russo musicou seus sonetos, os de número 5 e 11, e ficou lindo, de chorar, ouçam aqui e aproveitem. Fernando Pessoa foi tão grande quanto Camões, mas viveu quatro séculos depois, escolhi seu poema pela primeira parte, “Se Deus quer…”, que acho adequada á conquista do casamento gay por eles. Abraço do Cavalcanti a todos vocês.

 

 

Camões – Soneto Número 5

Camões

Camões

 

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

  

 

Soneto ao Infante Dão Henrique – Fernando Pessoa

Pessoa

Pessoa

 Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagroute, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

 

 

 

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Comentários

Lourenço, caríssimo, só posso dizer uma coisa: Lindo. Lindo, lindo, lindo sem fim, como os mares de Camões e Pessoa. Sois Cavalcanti, sois o Infante.
De todo o coração, obrigado por mais este belo presente.
Da amiga,
Dorita

Ai que bregueira de poema.

Lourenço,

Adorei!

Não ligue para os comentários de letras “minúsculas” (k) que foram “adotadas” pelo nosso alfabeto!

Leia mais Sr. k!

Gustavo
(assino com nome todo, não preciso esconder atrás de uma letra!)

Oi querido,

Lindos os poemas. :)

Adoro que a ex-colônia tenha uma relação tão boa com a ex-metrópole. A cultura portuguesa é muito única, muito rica, bela! :)

Agora ainda ficou mais bonita por ter se tornado mais tolerante. Demora pra atravessar o Atlântico, mas um dia chega. Vamos comemorar! :)

Beijocas

Gus, querido, beijos para você também (a internet esteve horrível ontem, só li hoje).

[...] sei que já escrevi demais sobre casamento gay, continuo emocionado com a Argentina e Portugal (!), mas o assunto já ficou meio chato. Nos últimos meses, diversos estados dos Estados Unidos [...]

[...] caros, a Espanha é um dos países mais gay-friendly do mundo, lá, como em Portugal, o casamento gay já foi aprovado há bastante tempo, Madrid e Barcelona tem noites gays [...]

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