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19 de janeiro de 2010

Elis

Queridos, hoje faz 28 anos da morte de Elis Regina, que além de ter sido uma das maiores cantoras da história da música brasileira, é um ícone gay incontestável. Seu fã clube é enorme, principalmente entre aqueles que a viram cantar – imagino que poucos de vocês, pois ela é da minha geração, dos quarentões(onas). Elis tinha uma voz linda, afinadíssima, era carismática no palco, chegou a cantar no Olympia, em Paris, e arrasou. Gravou um disco inteiro com Tom Jobim, e os dois juntos, cantando Águas de Março, são obrigatórios para quem queira saber algo sobre cultura brasileira nas décadas de 1960 e 1970.

Ela usou de sua presença na mídia para contestar a ditadura e, cantando O Bêbado e a Equilibrista, deu um belo tapa, com luvas de boxe, na cara dos militares. Não temos gravações de grande qualidade, pois aquela era a época dos long plays, os enormes discos pretos que arranhavam, e nem tudo foi propriamente digitalizado, mas tem várias canções no YouTube, das quais Águas de Março, Como Nossos Pais, Romaria, Maria Maria e Fascinação, são de visitação obrigatória. Várias grandes cantoras seguem seu repertório, divas como Bethânia e Simone, por exemplo, mas ninguém melhor que seus filhos, Maria Rita, tão igual a mãe que é um susto,  e Pedro Camargo Mariano.

Elis não era lésbica, mas quase todos os gays a adoravam. Por que nós, gays, temos essa fixação por Divas? Já falei de Liza Minnelli e Madonna, mas temos as brasileiras; Bethânia é um ícone, agradece sempre os aplausos com a famosa frase “Obrigada Senhores”, embora sejam pouquíssimos os homens na plateia. Simone vive publicamente com suas namoradas, elas não estão nem aí, já transcenderam a questão.

A morte de Elis, causada por uma mistura de cocaína e álcool, foi um susto no Brasil inteiro, e eu acho que poderia ser trazida como um exemplo bem oportuno hoje, quando as drogas estão voltando com tanta força. Será que o espetáculo Deus é Química, de Fernandinha Torres, não virá para São Paulo? Precisávamos…

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Comentários

Querido,

Desde pequena eu soube quem era a Elis porque nasci no dia em que ela morreu e todo mundo me falava isso. É incrível porque ao ver a minha data de nascimento em formulários e coisas do tipo, algumas pessoas recordam que foi nesse mesmo dia, deste mesmo ano em que ela faleceu. Dá para ver que a morte dela marcou muito o país.

De qualquer maneira, eu também ouvia a voz dela cantando “Corujinha, corujinha/Que peninha de você” (da Arca de Noé de Vinícius de Moraes) desde muito pequena e a medida que fui crescendo fui gostando cada vez mais.

Incrível! Sublime mesmo… Uma monstra cantando! Eu tenho saudades mesmo sem tê-la visto ao vivo ou comprado um álbum recém-lançado. :)

Obrigada por lembrar da eterna Elis. :)

Beijocas

Minha linda, o que seria de minha vida sem tuas carinhas amarelas… Beijo no seu coração!

Gui

Meu caro, voltei! E eu me lembro desse dia como se fosse hoje. Chorei tanto…
O primeiro grande show que vi na vida foi Falso Brilhante (1976). Tenho até um LP autografado. Desde então assisti a todos os seus shows várias vezes. Fico sempre imaginando o que ela estaria cantando hoje se fosse viva. Não dá para saber, ela gravava umas coisas que eu não esperava e surpreendia sempre.
As minhas deusas de hoje (MB e MM) que me perdoem. Mas Elis é Elis. E pronto. Beijas.

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