Meus caros, a foto ao lado é prova de que o mundo tem dado passos em prol dos homossexuais, reconhecendo lentamente nossa existência e nossos direitos de forma mais civilizada. As coisas estão mudando sim, e para melhor, nenhum rio corre para trás. Lógico que temos muito o que fazer, muito pelo que lutar, mas vejam só: o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, sobre quem já falei muito por aqui, pois é gay, saiu pela primeira vez em missão oficial, para representar seu país no Japão e na China, e levou junto o maridão Michael Mronz. Eles compareceram juntos a cerimônias públicas no Japão, como essa, em que visitam o monumento em homenagem o Imperador Meiji.
A Alemanha sequer reconhece o casamento gay, mas aceita a união civil em termos bastante sólidos, e, incrivelmente, aceita que o número 2 de sua política seja gay. Homossexual num cargo dessa estatura é coisa quase inédita no mundo – não vou me referir à primeira ministra lésbica da Islândia, Johanna Sigurdardottir, pois aquele não é um país tão relevante no cenário mundial.
O que eu achei bárbaro nesse novo capítulo foi o fato de que o Ministro não teve pudores em expor a sua homossexualidade fora da Alemanha, e foi elegantemente recebido e respeitado no Japão. A terra de Mishima, cuja imprensa é livre, onde a questão da homossexualidade tem antecedentes históricos comparáveis ao helenismo ocidental, mostrou uma bela face. O alemão deu uma força aos gays de lá, e Mishima, nosso São Sebastião de Tóquio, deve estar saltitante.
Falei há poucos dias sobre como Dag Hammarskjöld, maior homem da ONU, teve de se esconder no armário, vejam como as coisas mudam. Na China, inimiga histórica do Japão, onde o regime é ditatorial, a imprensa é controlada, e os gays perseguidos, a coisa não foi assim, Mronz não teve a menor exposição. A China não persegue apenas o Google…

