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28 de janeiro de 2010

Obama de novo

Falar é fácil.

Falar é fácil

Não sei se vocês assistiram ao discurso anual do presidente Obama, também chamado State of the Union, no qual ele, como presidente, dá satisfações ao Congresso americano, e aos cidadãos em geral, sobre o que fez no ano anterior e o que promete fazer no próximo. Não temos no Brasil nada que se compare a isso, um presidente prestando contas do que faz, e ao vivo, pela televisão, mas é uma tradição do sistema político americano. Normalmente dura cerca de uma hora, ontem durou mais. Todos nós, gays, nos perguntávamos se nossas reivindicações seriam tratadas, ou lançadas na “vala comum” dos direitos civis e desconversadas, principalmente numa hora em que tantos pontos delicados estão na pauta. Pois ao menos um tópico da agenda gay, o combate à política hipócrita e discriminatória do don’t ask, don’t tell, que segregaciona os gays nas forças armadas, foi mencionado, e o presidente comprometeu-se a trabalhar para derrubar essa barreira homofóbica, intimando o Congresso americano a unir-se a ele. Não que o Congresso esteja lá muito interessado, mas Obama, que de bobo não tem nada, dividiu com os congressistas o peso da cobrança.

Eu já disse aqui, no passado, o quão limitada é a força do presidente americano para propor e aprovar leis naquele país. Pode parecer um paradoxo, mas Obama não manda tanto assim. Ele conseguiu sancionar a Lei Shepard e Byrd, que tornou crimes hediondos aqueles motivados por racismo e homofobia, mas essa lei demorou mais de 10 anos para ser aprovada pelo Congresso, e contou com o apoio forte e fundamental do senador Ted Kennedy, já falecido. Agora só nos resta esperar mais um ano para saber se conseguirá, ao menos, derrubar a barreira ridícula e inútil contra gays no exército. Quanto ao tema delicado do casamento, escrevi há dois dias que, talvez lá, como aqui no Brasil, o judiciário resolva antes. Vamos torcer.

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Comentários

Meu caro, voltamos à velha história: homossexualidade no exército não pode, mas violência sexual pode. Na guerra vale tudo. Beijas.

Considerando o fenômeno cultural do “bullying”, tipicamente americano, eu acho que os homossexuais até têm medo de se assumir no exército, principalmente nos níveis mais baixos da hierarquia militar.

O que leva de novo ao problema-raiz que é a educação (ou falta dela). Por mais que haja leis protejam os militares homossexuais, as leis não impedem que o ato de violência em si seja praticado, apenas pune depois que esse é comprovado, se algum dia for.

“Don’t ask, don’t tell” é uma política hipócrita e estúpida, mas a sociedade americana, a exemplo da nossa, também os é…

Beijocas

[...] nas forças armadas americanas, como se lá não estivéssemos desde o início dos tempos. No seu discurso anual à nação, Obama anunciou que cumpriria sua promessa de campanha, e lutaria para derrubar esta lei. Muitos [...]

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