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29 de janeiro de 2010

Lula lá

Queridos, desde a última quarta-feira, 27, Curitiba tornou-se capital LGBT do Brasil, hospedando a 5ª Conferência Regional da Associação Internacional de Gays e Lésbicas da América Latina e do Caribe (ILGA-LAC). Tivemos direito à presença do Ministro da Secretaria dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, responsável pelo recente e ousado Plano Nacional de Direitos Humanos 3, além da senadora Fátima Cleide (PT-GO), e o deputado federal José Genoíno (PT-SP). O evento está sendo bárbaro, com  debates  e trabalhos produtivos, gerando bons resultados. Convidado, Lula mandou uma carta aos organizadores explicando sua ausência, por motivo de viagem ao exterior, mas lembrou-se de ressaltar, como feito de seu governo, a elevação ao nível de ministérios das Secretarias Nacionais de Direitos Humanos, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, e também da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.

Nível de ministérios, ok, mas o que fizeram de eficaz? Desculpem-me, mas as entusiasmadas palavras de nosso Presidente, e de seu Ministro Vannuchi, trazendo todas essas siglas e secretarias, nos últimos meses dessa administração, me pareceram ridículas. Seriam pertinentes no início de um governo realmente empenhado em seu sucesso. A verdade é que, em 2010, somados sete anos dessas boas intenções, sequer apoio de base governista para a aprovação da mais elementar lei de proteção contra a homofobia, trazida pelo Projeto de Lei 122/06, nos foi dado, nem mencionado quando foi necessário. Falar agora em união civil, e adoção por homossexuais, nessa reta final de governo, me parece crença de beata – espero estar errado! O louvado PNDH3 avança por tantas áreas, e por tópicos tão delicados, que promete tramitar no Congresso, nesse ano eleitoral, como carro em campo minado. Do texto proposto, veremos o que vai sobrar.

Reconheço que o Governo Federal pode exibir com orgulho a bárbara atuação do Ministério da Saúde no combate e prevenção da AIDS, exemplo para todo o mundo, e me parecem ter saído daí suas notas positivas em Curitiba. Quanto à organização do evento, eu rasgo os maiores elogios. Nossa militância, há tanto tempo desestruturada e anêmica, foi capaz de organizar este belíssimo encontro internacional, padrão nota 10. Precisamos repetir a dose ano que vem. Sucesso inegável de nossa militância, mas, das autoridades, um carnaval oportunista.

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Comentários

Como sempre, né?

Tudo bem que ele como presidente não tem tanta força direta na legislação, mas ele poderia se dirigir ao congresso, tentar usar sua influência.

Um problema do brasileiro é priorizar problemas, como se só fosse possível resolver um problema de cada vez. Assim, quando alguém propõe um trem-bala entre Rio e São Paulo, ouvimos comentários do tipo “com tanta criança sem estudar e tanta gente morrendo na fila de hospital, essa gente fica pensando em trem-bala”.

Claro que sim! O Brasil é enoooooooooooooorme e suas duas principais cidades estão há 5-6 horas de distância de ônibus. Avião não é uma transporte para muitos passageiros. Um trem de alta velocidade impulsiona negócios, impulsiona turismo, gera empregos, aumenta a arrecadação e ajuda no orçamento para saúde e educação.

Algo parecido ocorre com essas leis. Se homossexuais pudessem adotar crianças, mais saíram de orfanatos, estudariam em bons colégio e, algumas delas poderiam até cursar engenharia, o que ajudaria a resolver a super demanda por engenheiros que o Brasil terá com as obras do Pré-Sal, da Copa e das Olimpíadas.

Essa visão estreita do povo brasileiro permite que os políticos sigam com esse “carnaval oportunista”. É uma pena.

Beijocas

Meu caro, a nobre colega Iasmim falou e disse. Beijas.

Lourenço bem oportuno seu comentário, nesses sete anos do governo a única que se fala é do programa Brasil Sem Homofobia, que não alterou quase nada para os lgbt, sem falar que é apenas um programa e que o próximo presidente pode acabar. Sou eleitor do Lula, mas enquanto gay, me sinto traído neste governo. Cadê as políticas públicas? Se o Lula tivesse interesse o PL 122 já teria sido aprovado, mas eles não querem perder o voto dos evangélicos e nós que é sofremos a falta de uma legislação que nos dê segurança e direitos. Sim, a senadora Fátima Cleide é do PT de Rondônia e não de GO. Abraços.

[...] mas, agora, algo parece estar mudando. Será sonhar demais? Em tempo: no Brasil, o presidente Lula acaba de nomear, com aprovação do Congresso brasileiro, um general e um almirante, ambos homofóbicos, para o [...]

[...] devem entrar na pauta de votação, pois o governo não quer atrito com bancadas conservadoras. Paradoxal, o governo propõe, mas não briga pela aprovação? Sim, isso se chama jogar para a galera, para não chamar de demagogia. Temos, portanto, fortes [...]

[...] (pl 122/06), considerada crime no mundo inteiro, continua estagnado, e Lula já avisou que não vai discutir temas polêmicos por se tratar de ano eleitoral. Continuo rezando pelo [...]

[...] da orientação sexual não são mais admitidas por força de lei. O exemplo europeu bate feio no governo federal brasileiro, que não fez um único movimento sério e eficaz em favor de nossa comunidade nos últimos 7 anos e [...]

[...] nós de volta para a boca dos leões. Nenhum candidato vai se desgastar por nossa causa – Lula nunca o fez. E nós? Daremos tiros para todos os lados? Não, não adianta sermos quixotescos, vamos lutar para [...]

[...] vamos nós de volta para a boca dos leões. Nenhum candidato vai se desgastar por nossa causa – Lula nunca o fez. E nós? Daremos tiros para todos os lados? Não, não adianta sermos quixotescos, vamos lutar para [...]

[...] aquele que José de Alencar se recusou a assinar. Um ato simbólico, mas significativo, mínimo perto do que poderia fazer, mas ao menos ele o [...]

[...] algum dia o serão, e confesso que doeu. Entendi perfeitamente a indignação do Presidente Lula, com quem não tenho lá concordado em quase nada ultimamente, mas que ontem não se conteve diante das câmeras, num dos [...]

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