Revista > Edição 13 - Agosto/2008 > Você acredita no Brasil?
Você acredita no Brasil?
Brasileiros faz essa pergunta - tema permanente desta página - a vários brasileiros. Confira as respostas
"Creio que a melhor resposta é a pergunta: quando? Quando vejo voluntários trabalharem em bibliotecas comunitárias, em favelas, sim. Quando o Congresso aborta a Lei do Aborto, condenando as mulheres pobres aos açougues clandestinos, deixo de crer. Quando fico sabendo que Amy Irving encenou Um Porto Para Elizabeth Bishop, de Marta Góes, na Brodway, e Paulo Coelho é reverenciado como o mais prestigiado autor do planeta, sei que tudo pode mudar. Mas quando prefeitos desviam verbas destinadas à construção de casas populares, como no caso do PAC, fica mais difícil. E melhora quando a Polícia Federal faz corretamente seu trabalho e envia à Justiça processos corretos, claros, minando a corrupção e colocando banqueiros, especuladores e políticos na cadeia. Deixo de acreditar quando os idosos são tratados feito lixo dentro de casa, os aposentados explorados pelos familiares por causa do empréstimo consignado. E me enterneço quando penso nas melhores cabeças brasileiras da atualidade e constato que todas, sem exceção, têm mais de 70 anos. Eu acredito no Brasil por causa dos brasileiros. E rezo, murmurando os versos de Vinícius de Morais: Outros que contem/ Passo por passo/ Eu morro ontem/ Nasço amanhã/ Ando onde há espaço/ - Meu tempo é quando. Rezo pedindo para passar logo este tempo que, por enquanto, é quando."
Afonso Borges, produtor cultural, gestor do Sempre um Papo
"Assim como quase tudo na vida, ser otimista dá muito trabalho. Alguém já disse que cultura é o que sobra quando a gente se esquece de tudo. Mais ou menos como a respiração, presente em nossas vidas desde o primeiro minuto até a morte, sem darmos bola para o seu funcionamento, exceto em aulas de ioga ou meditação. As mudanças de cultura são lentas, trabalhosas e inexoráveis. A cultura ao mesmo tempo afeta as pessoas e é afetada por elas. É, pois, um ser vivo em constante transformação. Os escândalos recentes expressam a passagem de uma cultura antiquada, baseada no privilégio e impunidade, para uma outra mais inteligente, baseada na justiça e dignidade. Acredito no Brasil porque acredito no ser humano."
Auro Danny Lescher, psiquiatra e psicoterapeuta
Sócrates Brasileiro, ex-jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira de Futebol, criador da Democracia Corintiana
Afonso Borges, produtor cultural, gestor do Sempre um Papo
"Assim como quase tudo na vida, ser otimista dá muito trabalho. Alguém já disse que cultura é o que sobra quando a gente se esquece de tudo. Mais ou menos como a respiração, presente em nossas vidas desde o primeiro minuto até a morte, sem darmos bola para o seu funcionamento, exceto em aulas de ioga ou meditação. As mudanças de cultura são lentas, trabalhosas e inexoráveis. A cultura ao mesmo tempo afeta as pessoas e é afetada por elas. É, pois, um ser vivo em constante transformação. Os escândalos recentes expressam a passagem de uma cultura antiquada, baseada no privilégio e impunidade, para uma outra mais inteligente, baseada na justiça e dignidade. Acredito no Brasil porque acredito no ser humano."
Auro Danny Lescher, psiquiatra e psicoterapeuta
"É claro que eu acredito no Brasil. Não tem como não acreditar, se não eu já teria morrido. É um país moleque. Tem só 500 anos. É o país mais rico do mundo. o que tem mais água e natureza. Temos tudo aqui. O homem não conseguiu tornar o Rio de Janeiro feio, apesar de tudo. Não tem jeito de alguma coisa dar errada aqui. Temos uma enorme capacidade de transformação e de criação extremamente veloz.
Claro que eu acredito, não tem como não acreditar."
Sócrates Brasileiro, ex-jogador do Corinthians e da Seleção Brasileira de Futebol, criador da Democracia Corintiana








