Revista > Edição 15 - Outubro/2008 > 30 dias na vida dos brasileiros

O Acre existe

Artistas independentes movimentam o Estado durante o Festival Varadouro e firmam-se no cenário cultural brasileiro


Por Hélder Jr. e Giselle Lucena

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Ao que parece, piadas usadas em comunidades no Orkut como "O Acre existe?" ou "Acre is a lie" estão com seus dias contados. Esse Estado localizado dentro da floresta amazônica é resultado da mistura de características e etnias que só um lugar que lutou muito para ser brasileiro acumula. Mais conhecido como a terra de Chico Mendes, do Santo Daime e da vacina Sapo Kambô, ele vem se firmando também como um canteiro da boa música popular brasileira. Para provar isso, desde 2005 se orgulha de promover um dos maiores festivais do circuito de música independente do Brasil, o Festival Varadouro. Criado em 2005, por iniciativa do selo fonográfico Catraia Records, o evento hoje está sob responsabilidade da cooperativa Coletivo Catraia, que reúne músicos e produtores culturais para incentivar e estruturar os trabalhos autorais das bandas acreanas. De lá pra cá, o evento só ampliou seus atrativos.

A nova MPB

O que começou com dez bandas chegou em 2008 com 21 apresentações em dois dias. Além disso, durante a semana foram oferecidas oficinas e cursos de produção cultural, jornalismo, moda independente, grafite e fotografia. Houve também campeonatos de skate e streetball (basquete de rua). O Festival Varadouro foi realizado no estacionamento do estádio Arena da Floresta, para um público estimado em 3,5 mil pessoas. O set list do primeiro dia foi composto pelas bandas acreanas Tk7dois1, Blush Azul, Marlton, Yaconawas, Survive e Los Porongas, a tocantinense grunge Boddah Di Ciro, a paraense Pupuña, Ecos Falsos, de São Paulo, a banda instrumental gaúcha Pata de Elefante e a boliviana Atajo. A banda acreana de maior visibilidade no cenário nacional, Los Porongas, em seu retorno à terra natal - atualmente moram em São Paulo -, presenteou o público com um show empolgante e a apresentação de duas músicas inéditas. Fechando a noite, a Atajo mostrou por que é uma das mais badaladas bandas da Bolívia, com direito a protesto contra o governo de Evo Morales. No segundo dia, subiram ao palco as bandas Hey, Hey, Hey, de Roraima, Silver Cry, Calango Smith, Nicles e Filomedusa, do Acre, Cabocrioulo, do Amazonas, Diego de Moraes e o Sindicato, de Goiânia, Linha Dura, do Mato Grosso, Bareto, do Peru, e Cordel do Fogo Encantado, de Pernambuco, o show mais aguardado pela platéia. Consolidando-se como a nova promessa do rock acreano, a Filomedusa levantou a platéia. Já o Cordel do Fogo Encantado, que mistura elementos musicais e teatrais, superou as expectativas. Ponto para o evento, que neste ano optou, pela primeira vez, em trazer uma banda considerada headline.

Festivais independentes?

O conceito "independente" do evento vem sofrendo críticas. É que o festival acaba de ser contemplado com o patrocínio da Petrobras de R$ 2,5 milhões, por meio da Lei Rouanet. Daniel Zen, um dos organizadores e criadores do Festival Varadouro, secretário de Cultura do Acre e baixista da banda indie Filomedusa, acredita que a participação do governo vem diminuindo. "Independente é não estar ligado a grandes complexos de comunicação ou a grandes corporações da indústria fonográfica", acredita. Sobre as suas várias atividades, Daniel mantém-se tranqüilo. "Separam-se algumas condutas de acordo com a ética", afirma ele, que este ano concorre ao Prêmio Dynamite de Música Independente na categoria "personalidade". E assim o Acre começa a aparecer na cena musical brasileira.

Banda  indie  Filomedusa

Banda indie Filomedusa

 






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