Revista > Edição 25 - Agosto/2009 > 30 dias na vida dos brasileiros
Em defesa da fé
O jornalista e escritor espanhol Eric Frattini revela os segredos da Santa Aliança, o serviço secreto da Igreja Católica |
|

Mas a questão é que, por causa de atos terroristas como os ocorridos naquele trágico dia, em 2001, a tendência que temos em associar o fundamentalismo religioso ao Oriente Médio e suas respectivas religiões é enorme. Tão grande que muitos chegam a esquecer - ou mesmo desconhecer - que o fundamentalismo está presente em todas as religiões, essa "característica" não é exclusividade dos islâmicos. A maior prova disso é que a Igreja Católica praticou - guardadas as devidas proporções -, com a Santa Inquisição, esse mesmo fundamentalismo. E, apesar de extinta no século XIX, a Inquisição fez escola e deixou uma herdeira. Trata-se da Santa Aliança, o serviço secreto da Igreja Católica, criada em 1566 pelo Papa Pio V. Quem conta, com base em extensa pesquisa, a história dessa organização é o jornalista e escritor espanhol Eric Frattini, no livro A Santa Aliança.
Desde sua origem, a Santa Aliança, sempre liderada por homens de confiança dos papas e "em defesa da fé", cometeu "vários crimes políticos e de Estado ou simples 'queimas de arquivos' de figuras secundárias que interferiam na política do papa vigente e na de Deus no mundo".
Em quase 450 anos de história, a Santa Aliança - hoje chamada "A Entidade" - serviu a quarenta papas (Bento XVI é o quadragésimo primeiro a se beneficiar de seus serviços) -, e teve sua existência negada por todos eles. Sua presença foi determinante em todos os pontificados, mas coube ao Papa João Paulo II fazer com que a Santa Aliança passasse pelo seu talvez mais significativo período de avanço e modernização, aproximando-se ainda mais de outros serviços de inteligência, como a CIA e o Mossad (serviço secreto israelense). Um exemplo de resultado dessa aproximação aconteceu em 1973, quando, juntos, o Mossad e a Santa Aliança impediram um atentado contra Golda Meir, a então primeira-ministra de Israel. Em contrapartida, e não obstante o processo de beatificação de João Paulo II, em seu pontificado o Vaticano "vendeu armas, financiou ditaduras e golpes de Estado, comandou operações clandestinas", entre outras coisas.
Longe de ser um livro cujo objetivo é "desconverter" cristãos - como Deus, um Delírio, de Richard Dawkins, ou Deus não é Grande, de Christopher Hitchens -, A Santa Aliança tem o intuito de informar, contar a história dessa organização que defende, de maneiras no mínimo suspeitas, os interesses da Igreja Católica. Não é, para os cristãos, uma leitura, digamos, assim, relaxante, mas graças à boa prosa do autor, o livro se torna agradável - além de ser indispensável para uma melhor compreensão da história da Igreja (e do mundo). Já para os "seguidores" de Dawkins e Hitchens, A Santa Aliança é uma leitura deliciosa.
|
|



Astrologia Ciência e tecnologia Colaboradores Cultura Economia História do Brasil Opinião Pequenos Contos Personagens Quadrinhos
Você acredita no Brasil?
O rapper e apresentador Thaide fala por que crê no Brasil e no brasileiro. Leia outras opiniões
Bebidas
O bom vinho português Periquita e o desafio do mezcal, uma bebida mexicana para macho
Pequenos Contos
Marcos Rodrigues fala sobre sanfonas, motocicletas e outras paixões de Max Bauer
02/09/2010 - 17h27 - Tecnologia
Entrevista com Moacyr Alves Júnior
02/09/2010 - 17h25 - Tecnologia
Brincando com coisa séria
01/09/2010 - 16h13 - Corinthians - 100 anos
Detalhes em preto e branco




