O lado B da notícia > 20/11/2009 - 18h34 - Fórum da Cultura Digital Brasileira20/11/2009 - 18h34
Terra sem lei
Avança o processo colaborativo para a criação do marco regulatório da internet
Carlos Minuano
A formulação do marco legal ocorre em paralelo a outros debates convergentes, como o da reforma da lei de copyright, o processo de elaboração de um plano nacional de banda larga e a Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada em dezembro em Brasília, entre os dias 14 e 17, data de encerramento da consulta pública. "Começar o processo pelo debate com a sociedade é uma forma de reconhecer a pessoa que está por trás da rede, como um cidadão que têm direitos e deveres", prossegue Almeida.
Na primeira fase, a discussão ocorre a partir de proposta aberta na internet que abrange três categorias: direitos dos indivíduos, responsabilidade de intermediários e as diretrizes para a ação do governo. "Usuários podem fazer comentários e ainda avaliar as sugestões postadas", diz. Em questão, temas controversos como privacidade. De acordo com o assessor do MJ, uma proposta já rechaçada pela maioria foi a de atrelar IP a CPF.
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Com algumas exceções, como Finlândia, EUA e França, poucos países possuem um marco regulatório para a internet. No caso brasileiro, Almeida considera positivo que apenas agora se esteja pensando no assunto. "Podemos observar erros dos outros e corrigi-los", afirma.
Concluída a primeira fase, o trabalho segue na direção da elaboração de um Projeto de Lei, que novamente ficará disponível na internet e, por fim, em meados do primeiro semestre, deverá seguir para o Congresso, onde não se sabe o que vai acontecer. Mas se não for aprovado até julho, com as eleições de 2010, o mais provável mesmo é que nada aconteça. O assessor do MJ explica que "buscar na sociedade a redação do PL é uma forma de tentar sensibilizar deputados para que o resultado deste debate não seja perdido".
Pelo estardalhaço que a recente lei Azeredo (que tipifica crimes na internet) provocou é de se imaginar que o novo PL acirre os ânimos em alguns decibéis, colocando em risco a cristalização da proposta em algo concreto. Mas, nem todos lamentam que isso ocorra. Para Claudio Prado, do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, melhor que processo não seja concluído para evitar a criação de regras equivocadas. "O que vale é a discussão", afirma. "Estamos atravessando um rito de passagem complexo, o digital cria uma horizontalidade para a qual instituições e sociedade de modo geral não estão preparadas".
"Para pensarmos a internet, precisamos abandonar os velhos paradigmas", observa Prado, "Em 2003, no início do governo Lula, estávamos ainda na pré-história do digital. Hoje vivemos um momento muito diferente, acabamos de derrotar uma tentativa da criminalização da internet, antes da criação de um marco legal".
A lacuna da falta de regulamentação, entretanto, tem provocado uma série de imbróglios jurídicos relacionados a divergências sobre direitos autorais e aos chamados cibercrimes, como o de pedofilia. "A atual política nacional de informática é de 1984, quando ainda sequer havia internet", lembra Guilherme de Almeida, do MJ.
"Crimes na internet precisam ser punidos, mas sem prejudicar espaço de criatividade", ressalta o secretário executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy. No entanto, acrescenta que o Estado não pode se omitir de sua responsabilidade em relação à segurança na internet.
As discussões sobre a criação do marco regulatório podem ser acompanhadas pelo Twitter e pelo site www.culturadigital.br/marcocivil .
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